Uma questão que intriga muitos pais é se existe um horário ideal para as refeições dos jovens. Um estudo realizado pela Brown University, nos Estados Unidos, buscou explorar essa questão ao investigar como o relógio biológico influencia os padrões alimentares dos adolescentes. A pesquisa revelou que jovens com sobrepeso ou obesidade tendem a consumir mais calorias no final do dia.
Publicado no jornal científico Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS) em fevereiro de 2025, o estudo destaca a importância dos ritmos circadianos — ciclos de 24 horas que regulam as funções do corpo — na ingestão calórica dos adolescentes. Compreender essa relação é crucial, pois o desenvolvimento na adolescência tem impacto significativo na saúde ao longo da vida.
Como o relógio biológico afeta a alimentação?
O sistema circadiano é composto por uma rede de “relógios biológicos” presentes em órgãos, tecidos e células do corpo. Ele ajuda a ajustar o organismo às mudanças diárias e noturnas. Fatores genéticos, comportamentais e ambientais influenciam esse sistema, tornando-o um campo de estudo complexo e fascinante.
O estudo da Brown University se destacou por medir meticulosamente os alimentos consumidos pelos participantes, controlando as influências ambientais e comportamentais. Os 51 voluntários, com idades entre 12 e 18 anos, foram observados em um ambiente controlado, sem acesso a dispositivos que indicassem a hora do dia.
Quais foram os principais resultados do estudo?
Os pesquisadores observaram que o consumo de alimentos variava significativamente ao longo do dia, atingindo o pico no final da tarde e início da noite. Isso ocorreu mesmo após o controle de fatores comportamentais e ambientais, indicando que o relógio biológico afeta diretamente a quantidade de alimentos ingeridos em diferentes momentos do dia.
Adolescentes com sobrepeso ou obesidade consumiram mais calorias à tarde e à noite em comparação com aqueles de peso saudável. No entanto, não foram encontradas diferenças significativas no tempo total de sono entre os grupos. Esses achados sugerem que o relógio biológico interno regula a ingestão de alimentos, embora mais pesquisas sejam necessárias para entender seu impacto no controle de peso.
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Como diagnosticar a obesidade em jovens?
O diagnóstico de obesidade em crianças e adolescentes é geralmente feito através do Índice de Massa Corporal (IMC). Este índice é calculado dividindo o peso pela altura ao quadrado. As classificações variam de abaixo do peso a obesidade grau III, dependendo do valor do IMC.
- 18,5 ou menos: abaixo do normal
- Entre 18,6 e 24,9: normal
- Entre 25,0 e 29,9: sobrepeso
- Entre 30,0 e 34,9: obesidade grau I
- Entre 35,0 e 39,9: obesidade grau II
- Acima de 40,0: obesidade grau III
Para crianças menores de dois anos, utiliza-se uma classificação de peso por idade e sexo. Já para crianças maiores, além do IMC, outras medidas de composição corporal, como a circunferência e a avaliação da gordura corporal, são consideradas. Embora o IMC seja útil para diagnósticos populacionais, ele não é suficiente para avaliações individuais, sendo necessário combiná-lo com outras medidas.
O estudo da Brown University oferece insights valiosos sobre como o relógio biológico pode influenciar a alimentação dos jovens, destacando a importância de considerar fatores circadianos no manejo do peso e na promoção de hábitos alimentares saudáveis. Contudo, ainda há muito a ser explorado para compreender completamente essa complexa interação.