O cenário de segurança pública no Brasil tem sido tema de intensos debates nos últimos anos. Em 2025, as políticas adotadas pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva continuam a gerar discussões acaloradas entre especialistas e políticos. O ex-juiz federal e atual senador Sergio Moro expressou preocupações sobre a direção dessas políticas, destacando o impacto potencialmente negativo na criminalidade e na percepção internacional do Brasil.
O Índice de Percepção da Corrupção (IPC) da Transparência Internacional, divulgado recentemente, trouxe à tona questões sobre a integridade no setor público brasileiro. Com uma pontuação de 34 em 2024, o Brasil caiu para a 107ª posição entre 180 países, refletindo um agravamento na percepção de corrupção. Este cenário levanta questões sobre a eficácia das políticas de combate à corrupção no país.
Como Moro criticou as políticas de segurança pública?

Sergio Moro, conhecido por seu papel na Operação Lava Jato, criticou as políticas de segurança pública do governo atual, alegando que elas não priorizam o combate à corrupção. Ele destacou que a percepção de corrupção aumentou, o que pode prejudicar a imagem do Brasil internacionalmente e afetar o ambiente de negócios. Moro também mencionou que agentes da lei enfrentam um ambiente hostil, dificultando avanços significativos na agenda anticorrupção.
O plano “Pena Justa”, uma das iniciativas do governo, tem sido alvo de críticas por sua abordagem ao desencarceramento em massa. Segundo Moro, o plano apresenta dados incorretos sobre a população carcerária, o que pode distorcer a percepção sobre a superlotação prisional. Ele defende que o plano precisa ser revisado para garantir que as medidas propostas realmente contribuam para a reabilitação dos condenados.
Como o plano “Pena Justa” pretende abordar a superlotação prisional?
O plano “Pena Justa” foi elaborado para enfrentar o que é descrito como um “Estado de Coisas Inconstitucional” nas prisões brasileiras. Com foco no desencarceramento, especialmente em casos de crimes patrimoniais sem violência, o plano busca mitigar as violações dos direitos humanos no sistema prisional. O governo federal propôs 50 ações e mais de 300 metas a serem cumpridas até 2027, com a colaboração dos governos estaduais e do Distrito Federal.
Entre as ações propostas, destacam-se a ampliação da Justiça Restaurativa, a reformulação da política de drogas com enfoque na saúde e a melhoria das condições nos presídios. O plano também prevê a formação de profissionais que atuam nas prisões e a criação de mecanismos para garantir transparência e participação social nas políticas penais.
Quais são os desafios para a implementação do plano “Pena Justa”?
A implementação do plano “Pena Justa” enfrenta desafios significativos, incluindo a necessidade de avaliação legislativa e a adaptação dos sistemas prisionais estaduais até 2027. As críticas apontam para possíveis distorções nas propostas, que podem comprometer a eficácia das ações planejadas. A garantia de que as mudanças sejam permanentes e a prevenção de retrocessos são preocupações centrais para os legisladores.
Além disso, a formação de profissionais e a criação de um ambiente que promova a reintegração social dos detentos são aspectos cruciais para o sucesso do plano. A colaboração entre os poderes Executivo e Judiciário será essencial para superar os obstáculos e garantir que as metas sejam alcançadas de forma eficaz.
O debate sobre as políticas de segurança pública no Brasil continua a evoluir, com diferentes perspectivas sobre a melhor abordagem para enfrentar os desafios atuais. A necessidade de um equilíbrio entre o combate à corrupção, a redução da criminalidade e a proteção dos direitos humanos é evidente. O envolvimento de todos os setores da sociedade, incluindo o legislativo, será fundamental para desenvolver soluções sustentáveis e eficazes.
À medida que o Brasil avança em direção a 2027, a implementação bem-sucedida do plano “Pena Justa” e outras iniciativas será crucial para melhorar a percepção internacional do país e promover um ambiente mais seguro e justo para todos os cidadãos.