Reitor de Cambridge afirma que Jesus pode ter sido transgênero 

Reitor de Cambridge afirma que Jesus pode ter sido transgênero 

Um reitor da Universidade de Cambridge, localizada na cidade de Cambridge, no Reino Unido, afirmou que Jesus Cristo poderia ter sido transgênero. Reitor do Trinity College, de Cambridge, Michael Banner disse que tal visão era “legítima” depois de uma discussão sobre um sermão de um estudante que afirmava que Cristo tinha um “corpo trans”.

O discurso teria ocorrido no último domingo (27) na capela da faculdade britânica.

Joshua Heath, um pesquisador júnior, estava exibindo pinturas renascentistas e medievais que retratam a crucificação e que exibiam uma ferida lateral do corpo de Cristo como sendo supostamente a representação de uma “vagina”, na visão dele.

Testemunhas disseram ao tablóide britânico “The Telegraph” que choraram e se sentiram excluídos da igreja, com um deles gritando “heresia” para o reitor ao deixar a capela.

Na apresentação, três pinturas teriam sido exibidas, incluindo a obra Pietà, de Jean Malouel, de 1400.

Nesse momento, Joshua Heath teria apontado para a ferida lateral no corpo de Jesus, com o sangue fluindo até a virilha.

Ele também mostrou a obra de 1990 do artista francês Henri Maccheroni, intitulada Christus.

Segundo o jornal britânico, Joshua Heath teve o doutorado supervisionado pelo ex-arcebispo de Canterbury, Rowan Williams, e disse em seu discurso que no Livro de Oração de Bonne de Luxemburgo, do século XIV, essa ferida lateral de Jesus “assume uma aparência definitivamente vaginal”.

Heath também baseou sua teoria em representações artísticas não eróticas do pênis de Cristo ao longo da história, que “exigem uma resposta acolhedora, em vez de hostil, às vozes elevadas das pessoas trans”.

“No corpo simultaneamente masculino e feminino de Cristo nessas obras. Se o corpo de Jesus nessas pinturas sugere o corpo de todas as pessoas, então seu corpo também é o corpo trans”, disse o pesquisador.

Um membro da congregação, que preferiu permanecer anônimo, enviou uma carta de repúdio ao reitor Michael Banner: “Deixei o culto em lágrimas. Você se ofereceu para falar comigo depois, mas eu estava muito angustiado. Desprezo a ideia de que abrindo um buraco em um homem, através do qual ele pode ser penetrado, signifique que ele possa se tornar uma mulher. Desprezo especialmente essas imagens quando são aplicadas a nosso Senhor, do púlpito, em Evensong. Desprezo a ideia de que devamos ser convidados a contemplar o martírio de um ‘Cristo trans’, uma nova heresia para a nossa época”.

A resposta do reitor à denúncia defende o discurso do pesquisador por “sugerir que poderíamos pensar sobre essas imagens do corpo masculino/feminino de Cristo como nos fornecendo maneiras de pensar sobre questões relacionadas aos transgêneros de hoje”.

“Para mim, acho essa especulação legítima, mesmo quer você, eu ou qualquer outra pessoa discorde da interpretação; diga algo a mais sobre essa tradição artística; ou resista à sua aplicação a questões contemporâneas em torno do transexualismo”, acrescentou.

Um porta-voz da Faculdade da Sagrada Trindade enviou uma nota ao jornal britânico: “O discurso explorou a natureza da arte religiosa, no espírito de investigação acadêmica instigante e mantendo o debate aberto e o diálogo na Universidade de Cambridge”.

Gazeta Brasil



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