Polícia Civil solicitou a prisão preventiva dos 13 investigados; ex-presidente da Câmara de São Paulo está preso desde setembro e nega envolvimento com a facção e com a Transwolff
O ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo Milton Leite (União Brasil) e outros 12 suspeitos foram indiciados pela Polícia Civil por suspeita de integrar ou promover os interesses do Primeiro Comando da Capital (PCC). A corporação também pediu à Justiça a prisão preventiva dos 13 investigados, mas o requerimento ainda não foi analisado.
O relatório final da Operação Vectura Corrupta foi apresentado na sexta-feira (6). A investigação apura a infiltração do crime organizado no sistema de transporte coletivo por ônibus da capital paulista e de outros municípios do estado.
Segundo os investigadores, há indícios de que empresas responsáveis pelo transporte público em cidades paulistas passaram a ser administradas por integrantes do PCC após vencerem processos de licitação. A apuração também aponta suspeitas de corrupção de servidores públicos e de financiamento de campanhas eleitorais para prefeitos e vereadores nas eleições de 2024.
No relatório, a Polícia Civil afirma haver elementos suficientes para indicar que os 13 investigados integraram ou promoveram os interesses da facção. Em caso de condenação, as penas previstas para os crimes apontados podem variar de três a oito anos de prisão.
A polícia decidiu apresentar o indiciamento por esses delitos e manter as investigações sobre possíveis crimes de lavagem de dinheiro.
Suspeita de ligação com a Transwolff
Os investigadores apontam Milton Leite como suposto proprietário da Transwolff, empresa que administrou linhas de ônibus na capital paulista durante anos. O contrato com a companhia foi rompido pela gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) após suspeitas de envolvimento com o PCC.
Leite está preso desde 18 de setembro, quando se apresentou à Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Dise), em Mogi das Cruzes, na região metropolitana de São Paulo.
De acordo com o relatório, o pedido de prisão preventiva contra o ex-vereador foi fundamentado em duas ocasiões nas quais seu nome teria sido mencionado por terceiros. Uma delas envolve um áudio localizado em um celular apreendido. A outra aparece em depoimentos de policiais prestados à Corregedoria da Polícia Militar.
As referências tratariam de supostas conexões de Leite com empresas investigadas na Operação Fim da Linha, deflagrada em abril de 2024 para apurar a presença do PCC no transporte coletivo por ônibus da cidade de São Paulo.
Desde o início das investigações, o ex-vereador nega qualquer relação com organizações criminosas ou com a Transwolff. A reportagem procurou seu advogado neste sábado (7), por telefone e mensagem, mas não obteve resposta até a publicação.
Outros investigados
Entre os outros indiciados estão Carla de Paula Muller e Paulo Korek, empresários do setor de transportes. A reportagem também procurou as defesas dos dois.
Em manifestação, a defesa de Carla Muller declarou ter “absoluta convicção na inocência de sua cliente” e afirmou que isso será demonstrado durante as apurações. Segundo os advogados, ela já prestou todos os esclarecimentos solicitados pela autoridade policial e acredita que não será sequer denunciada.