Em menos de 96 horas, entre terça-feira (3) e sexta-feira (6), a crise financeira envolvendo o Ueno Bank provocou manifestações nas ruas do Paraguai, levou dirigentes da instituição à prisão e culminou na saída de Santiago Peña da Presidência do país. No mesmo período, autoridades avançaram com medidas para antecipar a devolução dos depósitos bloqueados, e os primeiros correntistas começaram a receber os valores.
A crise teve início após o Banco Central anunciar o processo de resolução do Ueno Bank, depois de identificar um índice de solvência inferior à metade do mínimo exigido. O bloqueio dos serviços impediu clientes de movimentar suas contas e provocou protestos em Assunção, com cobranças pela recuperação do dinheiro e pela responsabilização dos envolvidos.
Protestos também atingem políticos
As manifestações também tiveram como alvo o ex-candidato à Presidência Paraguayo “Payo” Cubas. Ao tentar participar de um ato nas proximidades do Panteão dos Heróis, ele foi hostilizado por manifestantes, recebeu ovos e precisou ser retirado do local por pessoas que o carregaram pelos braços e pelas pernas, segundo o jornal Extra.
Parte dos participantes o acusou de oportunismo e questionou a atuação de políticos eleitos com o apoio de seu movimento.
Dirigentes do grupo são presos
Na frente judicial, Miguel Vázquez, controlador do grupo proprietário do Ueno Bank, foi um dos seis dirigentes que tiveram a prisão preventiva decretada. Outras duas investigadas receberam prisão domiciliar com monitoramento eletrônico.
Durante as diligências, o Ministério Público apreendeu nove veículos de luxo na residência de Vázquez. Os investigadores apuram suspeitas de concessão irregular de empréstimos a empresas ligadas ao banco.
Devolução dos depósitos começa
Paralelamente às investigações, o Congresso avançou com medidas para antecipar a garantia dos depósitos dos clientes. O mecanismo contemplou correntistas com saldo de até 10 milhões de guaranis, sem dívidas com o Ueno Bank e que possuíam conta em outra instituição financeira.
Os primeiros pagamentos começaram ainda durante os quatro dias de crise, enquanto clientes aguardavam a normalização do acesso aos recursos.