A defesa de Henrique Vorcaro, pai do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, voltou a pedir ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, a revogação da prisão preventiva ou a autorização para que ele cumpra a medida em regime domiciliar. O pedido foi apresentado nesta segunda-feira (2).
Segundo informações divulgadas pelo Metrópoles nesta segunda-feira (02), os advogados alegam agravamento do estado de saúde do cliente e afirmam que a necessidade de manutenção da prisão não foi reavaliada dentro do prazo previsto.
Henrique está preso desde maio na Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem (MG). A prisão foi determinada pelo ministro André Mendonça. Segundo a Polícia Federal, ele financiava e solicitava serviços do grupo conhecido como “A Turma”, investigado por ameaças, intimidações e obtenção ilegal de informações sigilosas.
A defesa já havia solicitado a revogação da prisão. Desta vez, apresentou um novo relatório médico para reforçar o pedido.
Defesa aponta crises recorrentes de diverticulite
O relatório, elaborado em 28 de outubro pelo coloproctologista Marcos Henrique Rocha Campos, registra histórico de internações e crises recorrentes de diverticulite, inflamação que afeta o intestino grosso. Segundo o documento, Henrique recebeu indicação de cirurgia, mas o procedimento não foi realizado.
O médico alerta para o risco de perfuração intestinal, uma das possíveis complicações graves da doença, que pode exigir diagnóstico rápido e intervenção cirúrgica.
Os advogados argumentam que a unidade prisional não oferece condições adequadas para o tratamento nem garante atendimento hospitalar imediato em caso de emergência.
A defesa também afirma que Henrique apresenta hipertensão e doença arterial coronariana. Além disso, relata que ele sofreu, em março, um episódio de amnésia que exigiu internação em unidade de terapia intensiva.
Segundo os advogados, o Supremo já havia sido informado sobre crises de diverticulite, dores de cabeça, pressão elevada e lapsos de memória. Eles também relatam que, em setembro, o fornecimento de um medicamento para hipertensão teria sido interrompido por mais de uma semana, apesar de os remédios já terem sido entregues à unidade prisional.
Defesa questiona prazo de revisão da prisão
No novo pedido, os advogados afirmam que o prazo de 90 dias para reavaliação da prisão preventiva já foi ultrapassado. Segundo eles, solicitações de revisão apresentadas desde agosto ainda não foram respondidas.
A defesa sustenta que Henrique está preso desde 14 de maio de 2026 sem uma decisão que reexamine, com fundamentação atual e individualizada, a necessidade da custódia. Os advogados também admitem a possibilidade de aplicação de medidas cautelares alternativas, caso Fachin autorize a prisão domiciliar.
Os representantes de Henrique ainda contestam os fundamentos da prisão e negam que ele tenha tentado intimidar ou silenciar testemunhas. “Inexiste qualquer conduta ativa de sua parte, e muito menos violenta, com o intuito de silenciar testemunhas”, afirmam.
Por fim, a defesa pede que os ministros do STF julguem um recurso apresentado em 16 de julho, no qual questiona os motivos que levaram à decretação da prisão.
