A crise hídrica em Banabuiú, no sertão do Ceará, ganhou um novo agravante: a comercialização e a distribuição de água mineral passaram a ocorrer sob escolta policial. A medida emergencial foi adotada depois que comerciantes suspenderam as vendas por medo de represálias atribuídas à facção criminosa Comando Vermelho (CV).
A operação teve início na sexta-feira (31), sob coordenação da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), em parceria com a Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece).
O esquema prevê que a própria Cagece recolha os garrafões vazios nos fornecedores e transporte os recipientes cheios até o município em comboio protegido por policiais. Depois, a água é distribuída à população. Nos últimos dias, longas filas se formaram nas ruas, com moradores em busca do produto.
Facção teria imposto regras ao comércio de água
As ameaças contra comerciantes começaram a ganhar repercussão em meados de outubro. No dia 19, circulou em Banabuiú um documento intitulado “Edital Banabuiú”, assinado por uma suposta “Diretoria Banabuiú”.
No comunicado, o grupo criminoso condicionava a venda e a distribuição de água no município à autorização da facção e ameaçava comerciantes que descumprissem as determinações. O texto também proibia expressamente a comercialização de uma marca específica de água mineral, sob ameaça de confisco de garrafões e lacração dos estabelecimentos.
Nos dias 20 e 21 de outubro, a pressão teria avançado para aplicativos de mensagens. Boletins de ocorrência registraram denúncias de extorsão contra comerciantes, com cobranças que variavam de R$ 200 para permitir o funcionamento de lojas a taxas semanais de até R$ 750 no setor de distribuição de água.
Crise afetou até o funcionamento de escola
A suspensão das vendas provocou impactos diretos na rotina da população. Além da interrupção do comércio de água mineral, uma escola pública municipal precisou suspender as aulas em 21 de outubro por falta total de abastecimento.
Diante do cenário, a distribuição escoltada passou a ser uma alternativa emergencial para garantir o acesso dos moradores à água mineral, enquanto comerciantes enfrentam o temor de novas ameaças atribuídas à organização criminosa.