Presidente do Senado oferece espaços, relatorias e acenos sobre anistia, mas enfrenta resistência de parlamentares que não se mostram dispostos a trocar suas posições políticas por benefícios institucionais.
A disputa pela presidência do Senado Federal, marcada para fevereiro de 2027, começa a revelar um obstáculo nas articulações de Davi Alcolumbre (União Brasil-AP): a resistência de integrantes da nova composição da Casa, especialmente parlamentares ligados à direita conservadora, que não demonstram disposição para aceitar os tradicionais acordos políticos em troca de apoio.
Segundo informações publicadas pela jornalista Roseann Kennedy, na Coluna do Estadão, Alcolumbre tem ampliado suas negociações com diferentes setores políticos, oferecendo espaços institucionais e sinalizando possíveis entendimentos sobre temas sensíveis à direita. Entretanto, os acenos não sensibilizaram o núcleo bolsonarista, que mantém restrições ao senador e questiona o cumprimento de compromissos anteriores.
A resistência expõe uma diferença entre a política tradicional de distribuição de cargos e espaços de poder e as exigências de parlamentares que condicionam seu apoio a compromissos políticos concretos. Na avaliação atribuída a interlocutores de Alcolumbre, a ala mais resistente é considerada radical, embora a reportagem não apresente uma declaração literal do senador utilizando essa expressão.
Gabinetes, comissões e relatorias não garantem apoio
Entre os instrumentos utilizados nas negociações estão a distribuição dos melhores gabinetes, a promessa de relatorias importantes e a composição de comissões estratégicas, incluindo espaços relacionados ao Orçamento de 2027.
A estratégia, tradicional nas disputas internas do Congresso Nacional, encontra resistência entre parlamentares que cobram posicionamentos sobre anistia, decisões do Supremo Tribunal Federal e compromissos anteriormente assumidos com a oposição.
O impasse também envolve a relação de confiança entre Alcolumbre e setores do PL. Conforme a reportagem, integrantes do núcleo bolsonarista afirmam que acordos estabelecidos nos últimos quatro anos não foram cumpridos.
Alcolumbre busca aproximação com pautas da direita
Outro ponto das articulações envolve possíveis concessões relacionadas aos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023.
A discussão sobre indulto, contudo, esbarra em uma limitação constitucional: sua concessão é atribuição do presidente da República, e não do presidente do Senado. Já propostas de anistia dependem de tramitação legislativa e podem enfrentar questionamentos judiciais.
Uma alternativa mencionada pela Coluna do Estadão é o debate sobre a dosimetria das penas, assunto que poderia abrir espaço para negociações institucionais.
Apesar dessas movimentações, a reportagem indica que Alcolumbre ainda não estabeleceu uma negociação efetiva com a ala mais resistente do PL.
Apoios anunciados não representam necessariamente votos
Alcolumbre também recebeu o apoio político do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e anunciou o respaldo de dirigentes da federação União-PP, entre eles Ciro Nogueira e Antonio Rueda.
Entretanto, há uma diferença importante entre o apoio de lideranças partidárias e o voto individual dos senadores. Conforme destaca a reportagem, os dirigentes citados não integram o grupo de parlamentares aptos a votar na eleição interna.
Esse cenário coloca em evidência a necessidade de negociar diretamente com os senadores que efetivamente participarão da escolha do próximo presidente da Casa.
Uma disputa entre compromissos políticos e acordos institucionais
A resistência dos parlamentares conservadores demonstra que a distribuição de cargos e posições de influência não é suficiente, por si só, para assegurar adesões.
Para os senadores que reivindicam compromissos em torno de pautas específicas, a negociação envolve mais do que vantagens institucionais: exige garantias políticas e confiança no cumprimento dos acordos.
A eleição de fevereiro colocará à prova a capacidade de Alcolumbre de construir uma maioria em um Senado renovado, no qual os novos parlamentares também terão participação decisiva.
Fonte: Coluna do Estadão, jornalista Roseann Kennedy.
Nota editorial: A interpretação de que Alcolumbre subestimou a resistência dos novos senadores é uma leitura política dos fatos relatados. O texto original não comprova que ele tenha confessado isso nem registra uma fala literal sua chamando os senadores eleitos de “radicais”.