Em editorial publicado nesta segunda-feira (2), a Folha de S.Paulo criticou a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de determinar a apreensão dos passaportes do senador Flávio Bolsonaro (PL). Para o jornal, a medida pode reforçar a alegação de perseguição política e aumentar a desconfiança sobre a atuação da Corte.
A decisão foi tomada após a Polícia Federal solicitar a apreensão dos documentos, logo depois da confirmação da vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Segundo o editorial, Flávio ainda não havia anunciado intenção de deixar o Brasil, e um dos argumentos apresentados pela PF para justificar o risco de fuga teria sido uma declaração de Eduardo Bolsonaro feita dias antes do segundo turno.
O jornal também criticou a postura de Flávio, que deixou o país e divulgou uma carta na qual se declarou presidente eleito. Na avaliação da publicação, o senador deveria ter permanecido no Brasil para exercer seu direito de defesa nos procedimentos em que é investigado.
Jornal relembra críticas ao inquérito das fake news
O editorial também retomou críticas à condução do inquérito das fake news, aberto no STF há sete anos. Para a Folha, a investigação teria ultrapassado garantias fundamentais e comprometido princípios de um julgamento justo.
Como exemplo, o jornal mencionou o encerramento de ao menos oito investigações relacionadas ao inquérito pelo presidente do STF, Edson Fachin. Entre os casos citados está o do jornalista Guilherme Fiuza, que teve contas bancárias e ativos financeiros bloqueados, passaportes cancelados e perfis em redes sociais suspensos por períodos determinados.
A publicação também citou decisões de tribunais estrangeiros envolvendo pedidos de extradição de brasileiros. Segundo o editorial, cortes na Itália rejeitaram solicitações relacionadas a Carla Zambelli e Eduardo Tagliaferro, enquanto um tribunal espanhol apontou risco de perseguição política no caso de Oswaldo Eustáquio.
Folha questiona relações de Moraes e Flávio com Vorcaro
Outro ponto abordado pelo jornal são as relações de Alexandre de Moraes e Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master. Para a publicação, os vínculos de ambos devem ser investigados.
O editorial também criticou a análise preliminar do caso pelo Supremo, que classificou como marcada por corporativismo.
Ao final, a Folha argumentou que decisões como a apreensão dos passaportes e a condução de investigações pelo STF podem prejudicar a confiança da população na Justiça e aprofundar a polarização política no país.
