O ataque hacker que resultou no roubo de US$ 6,3 bilhões (cerca de R$ 34,2 bilhões) em criptomoedas da Binance, maior corretora do setor no mundo, ainda não provocou uma perda generalizada de confiança entre os investidores. Analistas, porém, avaliam que o episódio deve aumentar a cautela de grandes instituições e reforçar as preocupações com a segurança do mercado de ativos digitais.
Segundo informações divulgadas pelo G1 nesta segunda-feira (02), no domingo, durante nove horas e meia após a retomada parcial dos saques, os clientes retiraram US$ 3,64 bilhões (aproximadamente R$ 19,8 bilhões) a mais do que depositaram na plataforma. A movimentação foi considerada um primeiro teste da confiança dos usuários na corretora.
Segundo a Binance, o saldo líquido das retiradas correspondeu a 2,1% dos ativos mantidos na plataforma, percentual considerado relativamente baixo por analistas.
“Nossa principal prioridade neste momento é garantir que o ambiente esteja seguro; só então os usuários poderão sacar seus fundos e a Binance poderá retomar as operações”, afirmou o co-CEO da empresa, Yi He, em publicação no X nesta segunda-feira (2).
A corretora informou que está cobrindo os prejuízos e já reuniu US$ 6 bilhões para compensar as perdas. Os recursos vieram do caixa da empresa, de um fundo de seguro e de uma reserva destinada a incidentes de segurança.
O ataque ocorreu na noite de quinta-feira e foi atribuído a hackers norte-coreanos pelo FBI, a polícia federal dos Estados Unidos, e por analistas do setor.
Apesar da dimensão do episódio, o bitcoin e outras criptomoedas apresentaram recuperação, enquanto o volume de negociações aumentou.
Analistas alertam para impacto na confiança do mercado
Para Tim Sun, pesquisador sênior do HashKey Group, o episódio ainda não provocou uma retirada concentrada de recursos nem pânico generalizado.
O especialista, no entanto, destacou que os efeitos sobre a confiança podem ultrapassar o valor financeiro do roubo. Segundo ele, as preocupações com a segurança podem influenciar o volume de recursos que grandes instituições e diferentes perfis de investidores destinam ao mercado de criptomoedas.
A Binance, que afirma ter mais de 335 milhões de usuários e movimentar, em média, US$ 95 bilhões por dia, também informou que as retiradas diminuíram após um pico inicial e estão se estabilizando. A empresa contabilizou cerca de US$ 4,6 bilhões em saques e US$ 1 bilhão em depósitos no domingo.
Investidores mantêm recursos na corretora
Investidores ouvidos pela Reuters disseram que não pretendem encerrar suas contas na Binance em razão do ataque.
Jay Koh, vice-presidente da Asia Web3 AI Association, afirmou que as corretoras centralizadas continuam importantes para a liquidez, as negociações e o acesso ao mercado.
Já o cliente Ryan Tan disse que não tem pressa para retirar seus recursos. Segundo ele, desde a quebra da FTX, outra corretora de criptomoedas, há quatro anos, passou a manter a maior parte dos fundos em uma carteira própria, deixando um saldo menor nas plataformas de negociação.
Depois de atingir o menor valor em seis semanas na sexta-feira (30), o bitcoin se recuperou durante o fim de semana e voltou a ser negociado acima de US$ 78 mil nesta segunda-feira. O ether também avançou após alcançar sua menor cotação em dois meses.
Por outro lado, o valor total de mercado das stablecoins — criptomoedas geralmente vinculadas a moedas tradicionais, como o dólar — caiu desde sexta-feira. O movimento pode indicar que parte dos investidores está retirando recursos do mercado de ativos digitais e direcionando-os para dinheiro ou investimentos tradicionais.
A Binance informou que retomou os saques de bitcoin pela própria rede da criptomoeda, além de ether e algumas stablecoins vinculadas ao dólar pela rede Ethereum. No entanto, o site da corretora ainda indicava restrições para retiradas da maioria das criptomoedas.
