Lideranças da esquerda querem manter ativa a mobilização digital que marcou a campanha de segundo turno do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e acelerar a regulamentação das plataformas digitais. A estratégia reúne parlamentares, influenciadores e integrantes do governo, que veem nas redes sociais um instrumento importante para a disputa política e a sustentação do próximo mandato.
Um dos principais articuladores da mobilização foi o deputado federal André Janones (Rede-MG), responsável pelo chamado “Exército do Lula”, grupo no WhatsApp que, segundo ele, reuniu mais de 10 milhões de pessoas. O parlamentar afirmou à Folha de S.Paulo que pretende manter a estrutura ativa para pressionar em favor das pautas do governo e ampliar sua capacidade de articulação diante da composição do Congresso.
Lula também destacou a atuação de Janones no discurso de vitória e afirmou que pretende utilizar o celular para estabelecer uma comunicação direta com a população, sem depender da interpretação de intermediários.
Outros nomes da esquerda, como os deputados eleitos Ana Elisa (PT-MG), Jones Manoel (PSOL-PE) e Guilherme Cortez (PSOL-SP), também defenderam a continuidade da mobilização nas redes. Cortez argumentou que o campo progressista precisa manter presença digital e associou o avanço da direita nas plataformas ao funcionamento dos algoritmos.
Regulamentação das plataformas entra na agenda
Além da mobilização, a esquerda pretende avançar com a regulamentação das grandes empresas de tecnologia. Segundo a Folha, integrantes do governo e parlamentares articulam a votação, até dezembro, de um projeto sobre regulação concorrencial das big techs.
Cortez defendeu que a regulamentação seja discutida em conjunto com diferentes setores e mencionou a possibilidade de oferecer aos usuários a opção de desativar recomendações algorítmicas. Nesse modelo, o feed priorizaria publicações de perfis seguidos pelo usuário, em vez de conteúdos selecionados automaticamente pelas plataformas.
Durante o discurso de vitória, Lula também afirmou que a regulamentação das redes será uma das prioridades do governo. O presidente criticou o que chamou de interferência de plataformas digitais no processo eleitoral e defendeu que crimes cometidos no ambiente virtual recebam tratamento semelhante aos praticados fora dele.
A discussão ganhou força após reportagens da Folha sobre mensagens internas da Meta, empresa responsável pelo Facebook, Instagram e WhatsApp. Segundo o jornal, funcionários teriam reconhecido diferenças no tratamento de contas ligadas aos candidatos. A Meta negou interferência na campanha.
