O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve convidar o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o chefe de governo da Argentina, Javier Milei, para a cerimônia de posse de seu quarto mandato, marcada para 5 de janeiro de 2027. A previsão é que os dois sejam incluídos na lista de autoridades estrangeiras, apesar dos atritos diplomáticos e de ainda não terem reconhecido a vitória do petista nas eleições brasileiras.
Segundo informações divulgadas pelo O Globo nesta sexta-feira (30), o convite segue a prática do Itamaraty de chamar chefes de Estado de países com os quais o Brasil mantém relações diplomáticas. A presença de Trump e Milei, porém, dependerá da decisão de cada um. Ambos também poderão enviar representantes.
Na posse anterior de Lula, em 1º de janeiro de 2023, o então presidente argentino Alberto Fernández participou pessoalmente da cerimônia. Os Estados Unidos, na gestão de Joe Biden, enviaram uma delegação liderada pela então secretária do Interior, Deb Haaland.
Lula, por sua vez, não compareceu às cerimônias de posse de Trump e Milei. Em dezembro de 2023, enviou o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, para representá-lo na posse do argentino. Já na cerimônia de Trump, em janeiro de 2025, o Brasil foi representado pela embaixadora em Washington, Maria Luiza Viotti.
Relações com EUA e Argentina
A relação entre Brasília e Washington enfrenta tensões após Trump evitar reconhecer a vitória de Lula e levantar suspeitas de fraude eleitoral, sem apresentar provas. O presidente americano também afirmou que não pretende interferir na situação brasileira e que não tomou partido na disputa a pedido do próprio petista.
Com a Argentina, o relacionamento já estava desgastado por declarações de Milei contra Lula, que levaram o Itamaraty a convocar o embaixador argentino para prestar esclarecimentos. Mais recentemente, a possível participação de integrantes do governo argentino na saída de Flávio Bolsonaro do Brasil acrescentou outro ponto de tensão. O governo Milei também informou que não comentará a vitória de Lula.
Apesar das divergências, a diplomacia brasileira busca preservar os canais de diálogo. Nesta sexta-feira (30), Mauro Vieira e o secretário de Estado americano, Marco Rubio, participam de uma reunião de chanceleres do G20, em Atlanta. Não havia encontro bilateral previsto, mas o ministro brasileiro estaria disposto a conversar caso fosse procurado.
A cerimônia de janeiro também marcará uma mudança no calendário político do país. Será a primeira posse presidencial realizada em 5 de janeiro desde a Constituição de 1988. A alteração foi estabelecida por uma emenda constitucional de 2021, que também transferiu a posse dos governadores para 6 de janeiro.