O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), intensificou as articulações para tentar permanecer no comando da Casa, mas enfrenta resistências tanto entre governistas quanto na oposição. A discussão sobre um possível perdão ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) preocupa aliados do governo, enquanto parlamentares da direita cobram resultados concretos antes de decidir se apoiarão a recondução do senador.
Segundo interlocutores ouvidos pelo Metrópoles, Alcolumbre acredita já contar com votos suficientes para vencer a eleição, marcada para 1º de fevereiro de 2027. Ele aposta em apoios individuais e em dissidências dentro de partidos da oposição para ampliar sua base.
MDB, PSD e PT já sinalizaram apoio à recondução do atual presidente do Senado. Na terça-feira (27), União Brasil e PP também anunciaram adesão à candidatura. Juntas, as cinco bancadas terão 33 senadores em 2027, oito a menos que os 41 votos necessários para eleger o presidente da Casa.
PL terá a maior bancada do Senado
O Partido Liberal terá 29 das 81 cadeiras do Senado, a maior bancada da próxima legislatura. O PT, segundo partido com mais representantes, terá dez senadores.
Confira a distribuição das bancadas:
- PL: 29
- PT: 10
- MDB: 8
- PP: 6
- Republicanos: 5
- União Brasil: 5
- PSD: 4
- PSB: 4
- Novo: 3
- Podemos: 2
- PSDB: 2
- PDT: 1
- Rede: 1
- Sem partido: 1
Apesar das manifestações partidárias, a votação para a Presidência do Senado é secreta. Por isso, o apoio anunciado pelas direções não garante que todos os integrantes das bancadas votem conforme a orientação de seus partidos.
O PL deve se reunir na quarta-feira (4) para discutir se lançará Rogério Marinho (PL-RN) como candidato ao comando da Casa. Ex-coordenador da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, Marinho é um dos nomes cotados para enfrentar Alcolumbre. A senadora Tereza Cristina (PP-MS) também aparece como alternativa.
Parte da oposição defende um entendimento entre os dois para evitar a divisão dos votos contrários à reeleição do atual presidente. O apoio oficial do PP a Alcolumbre, entretanto, dificulta uma eventual candidatura de Tereza, embora não impeça que ela dispute o cargo.
Negociações com Lula e possível perdão a Bolsonaro
Alcolumbre também pretende voltar a conversar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre a relação entre o Executivo e o Legislativo após as eleições.
Os dois conversaram por telefone na noite do segundo turno. Segundo relatos publicados pelo Metrópoles, Lula chamou o senador de “meu amigo e irmão”. Na ocasião, Alcolumbre defendeu um discurso de pacificação nacional.
“Unir o Brasil, pacificar o Brasil, fortalecer as instituições democráticas, porque a ninguém interessa o enfraquecimento das instituições”, afirmou o senador.
Paralelamente, Alcolumbre participa de conversas sobre uma possível anistia ou concessão de indulto a Jair Bolsonaro. Segundo interlocutores, as articulações começaram antes das eleições e envolvem um grupo restrito de parlamentares, integrantes do governo e ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
Ainda não existe proposta definida nem acordo entre os envolvidos. A falta de avanços concretos alimenta a desconfiança de integrantes da direita, que questionam por que a discussão não avançou nos últimos dois anos. Senadores do PL afirmam, reservadamente, que uma promessa de perdão posterior à eleição para a Presidência do Senado não seria suficiente para garantir apoio a Alcolumbre.
Entre governistas, a resistência está justamente na possibilidade de conceder algum benefício ao ex-presidente. Uma das alternativas discutidas é o indulto, que poderia ser concedido pelo presidente da República. Outra é a anistia, que dependeria da aprovação de um projeto pelo Congresso Nacional.
Pedidos de impeachment de ministros do STF
A aproximação com a oposição não significa, porém, que Alcolumbre pretenda avançar com pedidos de impeachment de ministros do Supremo, especialmente de Alexandre de Moraes. Segundo relatos de pessoas próximas ao senador, ele não pretende levar essa pauta adiante.
Em outra frente, Alcolumbre tem demonstrado disposição para discutir mudanças nas regras de composição do STF, como uma proposta de emenda à Constituição que elevaria a idade mínima para indicação de novos ministros. A alteração poderia reduzir o período de permanência dos futuros integrantes da Corte.
