As empresas estatais federais registraram déficit primário de R$ 2 bilhões em setembro de 2026, segundo dados divulgados pelo Banco Central nesta quinta-feira (29). O resultado é o pior para o mês desde o início da série histórica, em dezembro de 2001.
O saldo negativo supera o registrado em setembro de 2025, quando o déficit foi de R$ 751 milhões. A última vez que as estatais federais fecharam o mês de setembro com resultado positivo foi em 2021, quando tiveram superávit de R$ 1,3 bilhão.
No acumulado de janeiro a setembro, o déficit chegou a R$ 8,5 bilhões, também o maior valor da série histórica para o período. Nos mesmos nove meses de 2025, o resultado negativo havia sido de R$ 6,3 bilhões.
Correios pressionam resultado das estatais
Um dos fatores que pesam sobre as contas das empresas públicas é a situação financeira dos Correios. No segundo trimestre de 2026, a estatal registrou prejuízo de R$ 2,4 bilhões, uma redução de 5,5% em relação à perda de R$ 2,53 bilhões no mesmo período de 2025.
A empresa passa por um processo de reestruturação após enfrentar uma grave crise financeira. Em setembro, solicitou um novo empréstimo de R$ 7 bilhões, cuja operação recebeu garantia do Tesouro Nacional, conforme informou a Folha de S.Paulo.
O que entra na conta do Banco Central
Embora o governo federal tenha 44 empresas estatais, nem todas entram no cálculo divulgado pelo Banco Central. A estatística exclui o grupo Petrobras e as instituições financeiras federais, como Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal.
Considerando também as empresas estaduais e municipais, o déficit das estatais chegou a R$ 3,4 bilhões em setembro. No acumulado dos nove primeiros meses do ano, o resultado negativo desse conjunto foi de R$ 11,4 bilhões.
Durante a apresentação dos dados fiscais, o chefe do Departamento de Estatísticas do Banco Central, Fernando Rocha, ressaltou que a instituição não possui informações detalhadas suficientes para separar despesas correntes de investimentos nas contas das estatais.
Integrantes do governo Lula argumentam que o déficit primário, isoladamente, não significa que uma empresa esteja financeiramente comprometida. Segundo essa avaliação, também é necessário considerar se as estatais apresentam lucro ou prejuízo em suas operações.
Procurado pela Folha, o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos não havia se manifestado até a publicação da reportagem.
