O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticou nesta segunda-feira (26) a eleição presidencial brasileira realizada no domingo (25) e afirmou, sem apresentar provas, que a votação “pareceu mais uma eleição fraudada”. Apesar das declarações, o republicano disse gostar do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e afirmou manter um bom relacionamento com o petista.
Questionado por jornalistas sobre sua avaliação do segundo turno, Trump classificou o pleito como “terrível” e declarou que a forma como a eleição foi conduzida transmitiu uma imagem negativa do Brasil para a comunidade internacional.
“Não tomei partido, mas a imagem que passou para o mundo foi péssima. É mais uma eleição — e você sabe, eleições precisam ser inquestionáveis —, por isso, para mim, a situação pareceu muito ruim”, afirmou.
Em seguida, o presidente norte-americano voltou a questionar a condução do processo eleitoral. “Não apoiei ninguém nem nada, mas acompanhei a eleição e ela pareceu tão corrupta”, declarou.
Trump diz que tem boa relação com Lula
Ao ser questionado se pretende tomar alguma medida em relação à eleição brasileira, Trump afirmou que não governa o Brasil e ressaltou que mantém uma relação positiva com Lula.
“Eu gosto do Lula, me dou muito bem com ele. Só acho que a forma como a apuração foi feita passou uma impressão muito ruim”, disse o presidente dos Estados Unidos.
Até o momento descrito nas informações divulgadas, o governo norte-americano não havia reconhecido oficialmente o resultado da eleição presidencial brasileira. Outros países, como China, França, Espanha, Portugal e Alemanha, reconheceram a votação e parabenizaram Lula.
Na América do Sul, Chile, Peru e Colômbia, governados por líderes de direita, também reconheceram o resultado. A Argentina, presidida por Javier Milei, ainda não havia se pronunciado.
Donald Trump Jr. também criticou horário da votação
No domingo (25), dia do segundo turno, Donald Trump Jr., filho do presidente dos Estados Unidos, criticou a extensão do horário de votação no Brasil. O encerramento, inicialmente previsto para as 17h, foi adiado para as 19h.
“Se um governo conservador no Brasil fizesse isso, todo mundo na imprensa mainstream americana perderia a cabeça, mas acho que eles estão apenas escolhendo ficar em silêncio porque é tudo pela causa”, alegou.
A ampliação do horário foi solicitada tanto pela campanha de Lula quanto pela campanha de Flávio Bolsonaro (PL), segundo as informações divulgadas. Os pedidos apresentaram justificativas relacionadas a dificuldades no transporte de eleitores e às fortes chuvas em determinados estados.
Campanhas de Lula e Flávio pediram extensão do horário
A campanha de Lula solicitou a ampliação do período de votação com base em relatos de problemas no transporte de eleitores em diferentes regiões do país. Já a campanha de Flávio Bolsonaro pediu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) o prolongamento da votação no Paraná, em Santa Catarina e em São Paulo, em razão das fortes chuvas.
O Partido dos Trabalhadores também protocolou um pedido no Supremo Tribunal Federal (STF) para estender a votação por mais duas horas em todo o território nacional.
De acordo com o relato apresentado, o ministro Cristiano Zanin foi sorteado relator do caso às 16h30, no horário de Brasília, e acolheu a solicitação às 16h57. A decisão, contudo, só teria sido inserida nos sistemas da Corte às 17h01.
A apuração foi interrompida por volta das 17h06, quando o TSE já havia divulgado resultados de algumas urnas. Posteriormente, o presidente do tribunal, ministro Kassio Nunes Marques, referendou a medida às 18h.
As declarações de Trump colocam a eleição brasileira no centro do debate político internacional. No entanto, as críticas feitas pelo presidente norte-americano não vieram acompanhadas, no relato divulgado, de provas que sustentem a alegação de fraude.
