As medidas econômicas, os benefícios e as renúncias fiscais anunciados pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2026 mobilizam centenas de bilhões de reais e reacendem o debate sobre o impacto da política fiscal em ano eleitoral. Um levantamento da Instituição Fiscal Independente (IFI), vinculada ao Senado, estima em R$ 298,4 bilhões o volume associado a essas iniciativas.
O cálculo inclui diferentes ações do governo, desde mudanças relacionadas à chamada “taxa das blusinhas” até medidas voltadas ao alívio de dívidas de microempreendedores. Também estão em discussão propostas como a gratuidade no transporte público e a criação de um benefício mensal para universitários.
Outro levantamento, o Gastômetro, do jornal O Estado de S. Paulo, contabilizou 46 medidas e incentivos e chegou a R$ 405 bilhões. Os valores, porém, utilizam critérios e conjuntos de iniciativas distintos. Portanto, não representam necessariamente despesas já efetivamente realizadas.
Comparação com eleições anteriores
Os números permitem estabelecer uma comparação com outras disputas presidenciais. Em 2014, os desembolsos associados à tentativa de reeleição de Dilma Rousseff foram estimados em 3,1% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo estudo do FGV Ibre.
Para 2026, o conjunto mais amplo de benefícios e políticas do governo Lula corresponde a aproximadamente 2,2% do PIB projetado para o ano, conforme os dados atribuídos à IFI.
Alexandre Manoel, da Global Intelligence and Analytics e um dos autores de um estudo sobre gastos eleitorais em 2016, avalia que a atual política fiscal pode ser comparável à adotada durante a campanha de Dilma.
Segundo o pesquisador, uma análise detalhada dos custos fiscais associados à eleição de 2026 deverá ser entregue ao próximo governo em meados de janeiro, com o objetivo de subsidiar a elaboração de medidas de ajuste.
Expansão fiscal supera a registrada em 2022
Manoel também chama atenção para o resultado do Monitor de Expansão Fiscal Ampliada (MEFA). De acordo com os dados citados, o indicador atingiu 3,19% do PIB entre janeiro e setembro de 2026, acima dos 1,34% registrados no mesmo intervalo de 2022.
O cenário fiscal também apresenta uma diferença relevante: em 2022, as contas públicas registraram superávit primário no período considerado, enquanto em 2026 houve déficit primário.
Ao comparar os dois governos, o pesquisador afirma que a orientação fiscal atual foi ainda mais expansionista do que a observada no governo anterior, de Jair Bolsonaro, em um contexto de resultado primário negativo.
Os números colocam em discussão o custo das medidas adotadas em ano eleitoral e seus possíveis efeitos sobre as contas públicas. A avaliação definitiva, contudo, depende da composição dos valores contabilizados, da execução efetiva das políticas e da metodologia utilizada em cada levantamento.
