A campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL) pretende apresentar os dados telefônicos, fiscais e bancários do candidato somente após analisar a documentação apresentada pela campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A informação foi confirmada nesta quinta-feira (22) pela advogada Maria Claudia Bucchianeri, que coordena a equipe jurídica do senador, durante entrevista a jornalistas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A estratégia levanta dúvidas sobre a possibilidade de os dois candidatos concluírem a apresentação e a análise dos documentos antes do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para domingo (25).
O compromisso de abrir os sigilos foi discutido após um desafio lançado por Lula durante debate promovido pela Band, no último domingo (18). Na ocasião, Flávio evitou assumir um compromisso imediato com a medida.
Campanha de Flávio exige ampliação do período analisado
Segundo Bucchianeri, o acordo foi aceito pelas duas campanhas, mas a equipe de Flávio estabeleceu condições para ampliar o alcance das informações. Uma das exigências é que os dados de Lula não se restrinjam aos últimos oito anos, como havia sido inicialmente proposto pelos petistas, mas abranjam o período desde 2003, quando o presidente assumiu o primeiro mandato.
A advogada também afirmou que a campanha pretende examinar informações relacionadas a cartões corporativos, visitas aos palácios presidenciais e outros dados públicos referentes aos últimos anos de governo.
Outro ponto levantado pela defesa de Flávio envolve os números de telefone utilizados por Lula e por integrantes de seu entorno. Bucchianeri argumentou que a apresentação de um número que não tenha sido efetivamente utilizado não atenderia ao objetivo de transparência defendido pela campanha.
A advogada citou especificamente Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula, ao defender que sejam apresentados os dados telefônicos pertinentes.
Apesar das exigências, Bucchianeri afirmou que a campanha de Flávio concordou em apresentar todas as informações solicitadas pela equipe petista. Ela, no entanto, condicionou a entrega à análise prévia dos documentos apresentados por Lula.
Questionada sobre a possibilidade de divulgar os dados ainda nesta quinta-feira, a advogada afirmou que, caso a documentação apresentada pelo presidente corresponda ao que foi solicitado, a equipe de Flávio dará andamento à apresentação das próprias informações. Segundo ela, os documentos já estão disponíveis.
Deltan Dallagnol ficará responsável por analisar documentos
A advogada esteve no TSE acompanhada do senador eleito Deltan Dallagnol (Novo-PR), indicado pela campanha de Flávio Bolsonaro para examinar a documentação relacionada à quebra dos sigilos.
Durante a entrevista, Dallagnol fez críticas ao histórico de Lula e afirmou que pretende verificar as informações apresentadas, incluindo documentos fiscais e bancários relacionados ao presidente, a familiares e a empresas mencionadas em investigações anteriores.
O ex-procurador também citou a Operação Lava Jato ao justificar a análise da documentação. Suas declarações, contudo, representam avaliações políticas e acusações feitas pela campanha, e não conclusões decorrentes da análise atual dos documentos.
Campanha de Lula apresenta documentos ao TSE
Representantes da campanha de Lula chegaram ao Tribunal Superior Eleitoral por volta das 11h desta quinta-feira para apresentar documentos relacionados à abertura dos sigilos do presidente, da primeira-dama Rosângela da Silva, conhecida como Janja, e de seus filhos.
A iniciativa ocorreu após o acordo firmado entre as duas campanhas para apresentar informações ao tribunal. A documentação deverá passar pelos procedimentos legais aplicáveis, incluindo a avaliação do alcance dos pedidos e das condições para eventual acesso aos dados.
Com a decisão da equipe de Flávio de aguardar a análise dos documentos de Lula antes de apresentar os próprios dados, permanece a dúvida sobre a conclusão do procedimento antes da votação de domingo.
O desfecho dependerá do cumprimento das condições estabelecidas pelas campanhas e dos trâmites necessários no TSE. Até o momento, a apresentação de documentos por uma das equipes não significa, por si só, que todas as informações solicitadas tenham sido disponibilizadas ou que estejam autorizadas para divulgação pública.