O senador Flávio Bolsonaro (PL) respondeu ao desafio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre a quebra de sigilos financeiros e telefônicos durante um ato político em Guarulhos, na Região Metropolitana de São Paulo. O parlamentar afirmou que aceita abrir os próprios dados, mas condicionou a medida à divulgação de informações que envolvem o presidente e pessoas próximas a ele.
Durante o discurso, Flávio fez acusações contra Lula e mencionou o Primeiro Comando da Capital (PCC), ao citar Marcos Willians Herbas Camacho, conhecido como Marcola, apontado como líder da facção criminosa. O senador também relacionou o tema a Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente, e afirmou que o petista deveria esclarecer as relações de familiares e aliados com integrantes do governo.
“Eu abro o meu sigilo no telefone, sim, mas o Marcola tem que abrir o dele”, declarou Flávio. As afirmações sobre supostas ligações entre Lula, Marcola e Lulinha foram feitas pelo senador durante o ato e não devem ser tratadas, por si só, como fatos comprovados.
Senador questiona patrimônio de Lula
No mesmo discurso, Flávio criticou o patrimônio do presidente e mencionou os casos do sítio de Atibaia e do triplex no Guarujá, imóveis que estiveram no centro de processos judiciais envolvendo Lula. O senador afirmou que seus próprios bens estão declarados e que foram construídos com o trabalho ao longo da vida.
Flávio também fez referência ao banqueiro Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master, ao cobrar explicações sobre as relações do governo federal. As declarações integram os ataques políticos feitos pelo parlamentar durante a campanha eleitoral.
Flávio cobra informações sobre encontros e gastos da Presidência
Além do desafio relacionado aos sigilos, o senador quer que Lula dê transparência a encontros, relações institucionais e despesas realizadas durante o atual governo.
Entre os pontos levantados estão os registros de visitantes do Palácio do Planalto e informações sobre uma reunião entre Lula e Daniel Vorcaro, realizada em dezembro de 2024. Flávio também cobra esclarecimentos sobre a relação do governo com a lobista Roberta Luchsinger.
O parlamentar solicita ainda informações sobre Frei Chico, irmão do presidente, incluindo um pedido de quebra de sigilo. A lista de questionamentos também abrange registros de voos da Força Aérea Brasileira (FAB), despesas do cartão corporativo da Presidência desde janeiro de 2023, agendas da primeira-dama Rosângela Lula da Silva, a Janja, visitas de familiares e utilização de helicópteros oficiais.
Pedido foi apresentado ao TSE
Flávio Bolsonaro pediu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que intime Lula a informar se aceita as condições apresentadas pelo senador. Caso o presidente recuse, o parlamentar quer que a negativa seja formalmente registrada no processo.
A iniciativa ocorre em meio à troca de acusações entre os dois candidatos na reta final da disputa presidencial. Até que haja manifestação oficial sobre o pedido, as exigências apresentadas por Flávio representam a posição do senador, e não uma determinação judicial para a divulgação automática dos dados solicitados.
