O ex-banqueiro Daniel Vorcaro demonstrou interesse em comprar 20% do Allianz Parque, estádio do Palmeiras, em conversas com o advogado Walfrido Warde, segundo mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular do empresário e obtidas pela CNN Brasil.
O diálogo ocorreu em agosto de 2024, quando o estádio ainda era conhecido como Allianz Parque. Warde, que também atua como advogado da WTorre, empresa responsável pela construção do empreendimento, perguntou a Vorcaro se ele teria interesse em adquirir uma participação no negócio.
“Te interessa comprar um pedaço do Allianz?”, escreveu o advogado em 13 de agosto. Vorcaro respondeu afirmativamente e perguntou quais seriam as condições da possível negociação.
Warde explicou que o estádio havia sido avaliado em R$ 1,7 bilhão e sugeriu a venda de aproximadamente 20% da participação. Com base nesse valor, a fatia corresponderia a cerca de R$ 340 milhões.
Vorcaro demonstrou disposição para avançar na proposta, mas levantou dúvidas sobre o endividamento do empreendimento. Warde respondeu que a dívida estava com o BTG e afirmou que as pendências com o Palmeiras haviam sido acordadas, com previsão de liquidação até o fim daquele mês.
Na sequência, o advogado perguntou se poderia agendar uma reunião com a família proprietária da WTorre. Vorcaro concordou e sugeriu que o encontro ocorresse na sexta-feira seguinte. Segundo investigadores familiarizados com o caso, a referência seria à família controladora da construtora.
As mensagens, porém, não confirmam que a reunião tenha acontecido nem que a negociação tenha avançado. Cerca de 20 dias depois, Warde voltou a cobrar uma posição de Vorcaro sobre o assunto. Após uma tentativa de ligação sem resposta, o ex-banqueiro retornou a chamada, que durou três minutos e 36 segundos.
A defesa de Vorcaro foi procurada pela CNN Brasil, mas preferiu não comentar o assunto. A reportagem também informou que tentava contato com a assessoria de Walfrido Warde.
Procurada, a assessoria do Palmeiras afirmou que o clube não tinha conhecimento da possível negociação. Em nota, explicou que o estádio é administrado pela WTorre, responsável pela exploração comercial do espaço, enquanto o Palmeiras recebe percentuais de receitas, como as provenientes de eventos e dos direitos de nome, e gerencia o local nos dias de jogos.
