O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, comemorou as declarações da lobista Roberta Luchsinger em entrevista à CNN Brasil, na qual ela fez acusações contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha. Parlamentares do PL também se mobilizaram para pedir proteção à lobista, que afirma ter recebido ameaças de morte.
Em publicação nas redes sociais, Flávio repercutiu as críticas feitas por Roberta ao presidente. A lobista afirmou que pretende buscar um acordo de delação premiada e declarou que não poupará Lula nem Lulinha. As acusações, no entanto, ainda precisam ser apuradas e não constituem, por si só, comprovação de irregularidades.
O líder da oposição na Câmara, deputado Cabo Gilberto Silva (PL-PB), afirmou ter encaminhado ofícios à Polícia Federal, ao Ministério da Justiça e à Procuradoria-Geral da República solicitando proteção para Roberta. Ele também anunciou que pretende pedir a convocação do ministro da Justiça, Wellington César, à Comissão de Segurança Pública da Câmara.
A deputada Coronel Fernanda (PL-MT), procuradora da Mulher na Câmara, igualmente declarou que solicitará a inclusão da lobista em um programa de proteção a testemunhas, citando a gravidade das acusações e os riscos que ela afirma enfrentar, inclusive em relação às filhas.
As declarações de Roberta receberam apoio público do PL, que publicou mensagens cobrando que ela apresente informações às autoridades. Do lado governista, o deputado André Janones (Rede-MG) orientou apoiadores a não impulsionar nas redes sociais conteúdos negativos para Lula. Já o ministro Guilherme Boulos comparou a reação do atual presidente às investigações envolvendo seu filho com a postura adotada por Jair Bolsonaro quando seu próprio filho, Flávio, era investigado.
A Secretaria de Comunicação Social da Presidência divulgou nota negando que Lula tenha mantido contato com Roberta Luchsinger. O comunicado afirma que o presidente desconhece os fatos relatados pela lobista, nunca recebeu demandas dela e que não há contratos do governo federal com ela. A Presidência também questionou o momento da divulgação das declarações, próximo ao segundo turno eleitoral.
Roberta e Lulinha são citados em investigações da Polícia Federal relacionadas a suspeitas de tráfico de influência. A defesa de Lulinha nega irregularidades, enquanto as acusações feitas pela lobista dependem de apuração pelas autoridades competentes.