Manter a população motivada a se vacinar mesmo quando as doenças parecem distantes é um dos principais desafios da saúde pública brasileira. O alerta foi feito por Renato Kfouri, presidente da Câmara Técnica de Eliminação do Sarampo, em entrevista à CNN Brasil neste sábado (17), durante o Dia Nacional da Vacinação.
Segundo o especialista, a redução da circulação de uma doença pode provocar uma falsa sensação de segurança e levar as pessoas a adiar a imunização. Ele citou como exemplos as campanhas contra a covid-19 e a febre amarela.
Kfouri explicou que, quando uma doença deixa de ser percebida como uma ameaça imediata, parte da população passa a considerar a vacinação menos necessária. Esse comportamento, porém, pode favorecer o retorno da transmissão.
Sarampo volta a preocupar autoridades de saúde
O Brasil recebeu, em 2016, o certificado de eliminação do sarampo nas Américas. No entanto, a circulação do vírus voltou a ser registrada no país em 2018, com maior concentração de casos em 2019, quando foram contabilizados 21.741 registros.
Em 2026, a doença continua sob monitoramento. De acordo com o informe do Ministério da Saúde citado na reportagem, o Brasil havia registrado 61 casos até a data da publicação, todos classificados como importados, ou seja, relacionados à infecção adquirida fora do país. A maioria dos pacientes não estava imunizada.
O cenário brasileiro ocorre em meio ao aumento de casos nas Américas. A Organização Mundial da Saúde também tem alertado para a expansão da doença na região, o que reforça a necessidade de manter a vigilância epidemiológica e a cobertura vacinal.
Vacinação é a principal forma de prevenção
O sarampo está entre as doenças infecciosas mais contagiosas e pode provocar complicações graves, inclusive a morte. Como não existe tratamento específico capaz de eliminar o vírus, a vacinação é a principal estratégia para prevenir a doença e reduzir sua circulação.
Kfouri destacou que o sucesso das vacinas pode contribuir para a impressão equivocada de que elas já não são necessárias. Ele comparou esse comportamento ao de pessoas que interrompem um tratamento porque os sintomas desapareceram, sem considerar que a melhora depende da continuidade dos cuidados.
Para o especialista, a ocorrência de novos casos demonstra que a ameaça não desapareceu completamente e que a manutenção da cobertura vacinal continua essencial.
Imunizante está disponível gratuitamente pelo SUS
As vacinas estimulam o sistema imunológico a reconhecer e combater agentes infecciosos, preparando o organismo para responder caso haja contato posterior com o vírus.
Diante do aumento da circulação do sarampo nas Américas, a Organização Mundial da Saúde recomendou o reforço das ações de conscientização e imunização. No Brasil, a vacina contra a doença é oferecida gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
A orientação é manter a vacinação atualizada conforme o calendário oficial. A ampliação da cobertura vacinal é considerada fundamental para proteger a população e reduzir o risco de novos surtos.