Cientistas e representantes de dezenas de países aprovaram uma mudança na forma como o horário oficial é sincronizado mundialmente. A partir de 2027, o sistema internacional deixará de seguir o calendário previsto para a introdução de ajustes periódicos conhecidos como “segundos bissextos”, conforme a decisão tomada durante a Conferência Geral de Pesos e Medidas, realizada em Versalhes, na França.
O segundo bissexto é um ajuste criado na década de 1970 para manter o Tempo Universal Coordenado (UTC), baseado em relógios atômicos, próximo do tempo determinado pela rotação da Terra. Os dois sistemas não avançam exatamente no mesmo ritmo, já que a velocidade de rotação do planeta sofre pequenas variações provocadas por fatores como movimentos internos da Terra, correntes oceânicas, mudanças na atmosfera e forças das marés.
Desde 1972, 27 segundos bissextos foram acrescentados aos relógios. Os ajustes não seguem intervalos regulares e são realizados quando a diferença entre o tempo atômico e o tempo astronômico se aproxima de 0,9 segundo.
Por que a mudança foi aprovada?
A principal preocupação está nos riscos que esses ajustes podem representar para sistemas digitais que dependem de sincronização precisa. Redes de telecomunicações, satélites, bolsas de valores, centros de processamento de dados e redes de energia estão entre as estruturas que podem ser afetadas por alterações no registro do tempo.
Em 2012, por exemplo, a inclusão de um segundo extra foi associada a falhas em serviços on-line, como Reddit e LinkedIn, além de problemas operacionais que provocaram atrasos em voos da companhia aérea Qantas.
Outro fator é a possibilidade de a rotação da Terra acelerar temporariamente. Essa variação levantou a hipótese de que, em algum momento, seria necessário retirar um segundo dos relógios, em vez de acrescentá-lo. Um ajuste desse tipo, chamado de segundo bissexto negativo, nunca foi realizado e poderia provocar dificuldades técnicas em sistemas que não estão preparados para essa mudança.
Em comentário divulgado pelo Science Media Centre Espanha, Dolores del Campo Maldonado, do Centro Espanhol de Metrologia, afirmou que a medida é necessária diante dos riscos que a introdução de um segundo negativo poderia representar nos próximos anos.
O que muda na prática?
A alteração não será perceptível no cotidiano da população. Os relógios comuns e os celulares continuarão marcando as horas normalmente, sem que as pessoas precisem alterar configurações ou realizar qualquer procedimento.
A mudança permite que a diferença entre o tempo oficial e o tempo determinado pela rotação terrestre aumente gradualmente, dentro de limites definidos internacionalmente. Segundo as informações apresentadas sobre a decisão, essa diferença poderá se aproximar de uma hora ao longo de séculos.
Os cientistas continuarão monitorando a rotação do planeta. Para estudos que exigem precisão sobre a posição da Terra em relação aos astros, os especialistas poderão recorrer diretamente às medidas do tempo astronômico.
