O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, chamou o Brasil de “um pequeno país” ao recordar a visita que fez ao país em 2019 para participar da posse do então presidente Jair Bolsonaro (PL). A declaração ocorreu na quarta-feira (14), durante uma cerimônia em Jerusalém que marcou a inauguração da embaixada da Colômbia na cidade.
Durante o discurso, Netanyahu relembrou viagens que fez à América Latina ao lado da esposa, Sara Netanyahu, e citou Colômbia, Argentina, México e Brasil. Ao mencionar a cerimônia de posse de Bolsonaro, o premiê israelense sinalizou a possibilidade de repetir a visita. “Fomos a um pequeno país chamado Brasil, para a posse do presidente Bolsonaro. Quem sabe? Talvez façamos isso novamente”, afirmou.
Na mesma ocasião, o chefe do governo israelense defendeu uma reaproximação com países latino-americanos. Segundo Netanyahu, as relações de Israel com parte da região passaram por um período de distanciamento, mas estariam entrando em uma nova fase. Ele descreveu o momento como uma retomada da amizade e da afinidade entre os povos.
Netanyahu também criticou governos que, segundo ele, contribuíram para enfraquecer os laços com Israel e atribuiu esse afastamento ao que chamou de “aliança global woke”. A declaração foi feita durante a cerimônia de inauguração da representação diplomática colombiana em Jerusalém, em um contexto de mudanças nas relações entre Israel e países da América Latina.
Relação com o governo Lula
A fala ocorre em meio às tensões diplomáticas entre Israel e o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Lula tem criticado a ofensiva militar israelense na Faixa de Gaza e acusado o governo de Netanyahu de cometer genocídio contra a população palestina. O premiê israelense, por sua vez, declarou o presidente brasileiro persona non grata em Israel.
Em setembro, integrantes da delegação brasileira deixaram o plenário da Assembleia Geral das Nações Unidas antes do discurso de Netanyahu, em um gesto de protesto contra a atuação militar de Israel em Gaza. Outras delegações também se retiraram durante a sessão.
A lembrança da visita de 2019 ocorre, portanto, em um cenário de divergências entre os governos brasileiro e israelense sobre o conflito no Oriente Médio e sobre a condução das relações diplomáticas entre os dois países.