O deputado federal reeleito Nikolas Ferreira (PL-MG) afirmou que dois episódios foram determinantes para que deixasse Carlos Bolsonaro (PL-SC), eleito senador por Santa Catarina, fora de sua “colinha” eleitoral na véspera do primeiro turno.
Em entrevista ao programa Pânico, da Jovem Pan, Nikolas disse que não apoiou Carlos porque o vereador teria feito acusações de que ele estaria envolvido em uma tentativa de “calar e assassinar” o ex-presidente Jair Bolsonaro.
“Uma pessoa que fala que tentei matar o pai dele e calar o pai dele não merece o meu apoio”, afirmou.
Nikolas também negou que a decisão tenha sido motivada por vingança. Segundo ele, a escolha foi baseada em “princípios”.
Na lista de candidatos que divulgou para Santa Catarina, o deputado indicou apenas Carol De Toni (PL) para uma das duas vagas ao Senado e deixou a segunda opção em branco. Carlos Bolsonaro e Carol De Toni foram eleitos no domingo (4).
Os motivos da divergência
Segundo Nikolas, o primeiro episódio ocorreu em abril, quando Carlos publicou uma mensagem acusando um grupo de tentar “calar e assassinar Jair Bolsonaro” em meio a uma disputa política envolvendo sua candidatura ao Senado por Santa Catarina.
O segundo ponto de atrito ocorreu após a divulgação de conversas entre Nikolas e Daniel Vorcaro, então controlador do Banco Master. Segundo informações divulgadas na época, o deputado pediu ajuda ao empresário para liberar um ativo minerário em benefício de Thiago Rodrigues de Faria, seu ex-assessor e advogado.
Nikolas confirmou os contatos, mas negou ter cometido irregularidades. Ele afirmou que apenas intermediou o pedido do amigo e que não recebeu dinheiro nem mantinha relações comerciais com Vorcaro.
Após a divulgação das conversas, Carlos fez uma publicação nas redes sociais criticando setores da direita e afirmando que a chamada “direita permitida” havia sido revelada. Embora não tenha citado Nikolas nominalmente, o deputado mineiro interpretou a mensagem como uma acusação de que estaria agindo contra Jair Bolsonaro por causa de um projeto político próprio.
“Você tem ideia do que é, em um dos dias mais difíceis para mim e para a minha família, um cara falar que eu estava ao lado do sistema para poder acabar com o pai dele?”, disse Nikolas.
Apesar da ausência de apoio de Nikolas, Carlos Bolsonaro foi eleito senador por Santa Catarina com 25,35% dos votos, enquanto Carol De Toni ficou com 33,46%.
