A campanha pela reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pretende concentrar parte da estratégia do segundo turno no temor de redução de programas sociais e mudanças nas regras de reajuste das aposentadorias. A iniciativa busca reagir à vantagem obtida por Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno da eleição presidencial.
Segundo relatos publicados pela Folha de S.Paulo, Lula orientou aliados a alertarem beneficiários de programas sociais sobre a possibilidade de redução dos benefícios em um eventual governo do adversário. A estratégia também deverá ser direcionada aos aposentados, com destaque para uma eventual desvinculação dos reajustes das aposentadorias em relação ao salário mínimo.
De acordo com pessoas que participaram das discussões, Lula avalia que parte da população passou a considerar garantida a continuidade de programas sociais e não associa mais diretamente essas políticas aos governos do PT. A campanha pretende, portanto, reforçar a ideia de que mudanças nas regras fiscais poderiam afetar esses benefícios.
Estratégia para o segundo turno
A orientação foi discutida em uma reunião realizada na segunda-feira (5), convocada para reorganizar a campanha após o resultado do primeiro turno. Flávio Bolsonaro terminou a primeira etapa da eleição à frente de Lula, com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% do petista.
A campanha pretende levar o discurso principalmente a beneficiários de programas sociais e aposentados. A avaliação dos aliados de Lula é que uma eventual mudança na política de gastos poderia afetar programas de transferência de renda e outras políticas de inclusão social.
Durante a reunião, Lula afirmou que o debate sobre controle de gastos precisa ser acompanhado de atenção às políticas sociais. Em trecho divulgado do encontro, o presidente disse que, quando se fala em endurecimento fiscal, existe o risco de que medidas de contenção atinjam políticas voltadas à população de menor renda.
A campanha também deverá explorar propostas relacionadas às aposentadorias. A possibilidade de desvincular benefícios previdenciários do salário mínimo vem sendo discutida no debate econômico, mas não significa que uma mudança desse tipo já esteja definida para um eventual próximo governo.
Segurança e comunicação
Além dos programas sociais, aliados de Lula cobraram uma mudança na abordagem da campanha sobre segurança pública. Governadores defenderam uma atuação mais incisiva do presidente no tema e uma resposta às propostas apresentadas por Flávio Bolsonaro para a área.
Lula também reconheceu problemas na comunicação durante o primeiro turno. Segundo relatos divulgados pela Folha, o presidente decidiu acompanhar mais de perto a produção da propaganda eleitoral e assistir previamente às peças antes da veiculação.
A campanha ainda pretende ampliar ações regionais e combater a abstenção, principalmente no Nordeste. O eleitorado idoso também deverá receber atenção especial, já que o voto é facultativo para pessoas com mais de 70 anos.
No segundo turno, Lula e Flávio Bolsonaro disputarão a Presidência da República em uma nova rodada de votação, marcada para 25 de outubro. A estratégia eleitoral de cada campanha poderá ser alterada ao longo das próximas semanas, até a votação.
