As eleições de 2026 ampliaram a presença de forças políticas de direita no Congresso Nacional e colocaram o senador Flávio Bolsonaro (PL) na liderança do primeiro turno da disputa presidencial. O candidato do PL terminou a primeira etapa com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A diferença foi de 1,87 ponto percentual, a menor registrada entre primeiro e segundo colocados em uma eleição presidencial desde a retomada das eleições diretas, em 1989.
Flávio recebeu 56,1 milhões de votos, cerca de 5 milhões a mais do que Jair Bolsonaro havia obtido no primeiro turno de 2022. O resultado representa a maior votação de um integrante da família Bolsonaro em um primeiro turno presidencial.
A disputa presidencial será definida no segundo turno, marcado para 25 de outubro. Apesar da liderança de Flávio na primeira votação, o resultado não define o vencedor da eleição.
PL terá maior bancada do Senado
A expansão do PL também aparece na composição do Senado que assumirá em 2027. O partido elegeu 19 senadores no primeiro turno e, somados aos nove que já possuem mandato até 2031, deverá chegar a 28 integrantes. Será a maior bancada da Casa no início de uma legislatura desde a promulgação da Constituição de 1988, caso a composição prevista se confirme.
O PT terá nove senadores, enquanto o MDB ficará com oito. A bancada do PL, portanto, terá mais de um terço das 81 cadeiras do Senado.
Entre os nomes eleitos pelo PL estão Michelle Bolsonaro, no Distrito Federal; Carlos Bolsonaro, em Santa Catarina; Carol de Toni, também em Santa Catarina; Bia Kicis, no Distrito Federal; e outros parlamentares da legenda que passam a integrar a Casa a partir de fevereiro de 2027.
Família Bolsonaro terá representantes no Congresso
A nova composição também terá outros integrantes da família Bolsonaro. Além de Michelle e Carlos Bolsonaro no Senado, Jair Renan Bolsonaro foi eleito deputado federal por Santa Catarina, enquanto Renato Bolsonaro conquistou uma vaga na Câmara por São Paulo.
A presença desses parlamentares se soma à influência política do grupo no Congresso, mas os quatro terão funções e mandatos distintos dentro das duas Casas.
Além do PL, outros partidos elegeram parlamentares identificados com posições de direita. No Senado, por exemplo, foram eleitos Marcel van Hattem e Deltan Dallagnol, ambos do Novo, e Guilherme Derrite, do PP. No Paraná, Filipe Barros (PL) e Deltan Dallagnol (Novo) foram eleitos; no Rio Grande do Sul, Sanderson (PL) e Van Hattem (Novo) conquistaram as duas vagas.
Resultado muda correlação de forças
A nova configuração do Congresso deverá influenciar as negociações políticas a partir de 2027, especialmente em temas que envolvem o governo federal, o Supremo Tribunal Federal e a própria organização das duas Casas legislativas.
No Senado, o tamanho da bancada do PL também deverá pesar na disputa pela presidência da Casa. A eleição da Mesa Diretora ocorrerá no início da próxima legislatura, quando os novos senadores tomarem posse.
O cenário, portanto, combina uma disputa presidencial ainda aberta entre Flávio Bolsonaro e Lula com uma mudança significativa na composição do Congresso, marcada pelo crescimento da bancada do PL e pela eleição de outros parlamentares associados ao campo político de direita.
