Lideranças do PT passaram a cobrar mudanças na estratégia de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para o segundo turno das eleições presidenciais. Nos bastidores, integrantes do partido apontam o ministro da Secretaria de Comunicação Social (Secom), Sidônio Palmeira, como um dos principais responsáveis pela condução da comunicação da campanha e defendem uma mudança de estratégia nas próximas semanas.
As avaliações ocorreram após o primeiro turno, realizado no domingo (4), quando Lula terminou em segundo lugar, atrás de Flávio Bolsonaro (PL). Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Flávio recebeu 56,1 milhões de votos, o equivalente a 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula obteve 53,9 milhões, ou 45,16%. Os dois disputarão o segundo turno em 25 de outubro.
Segundo três integrantes do PT ouvidos pela CNN, a campanha teria sido conduzida de forma improvisada e, em alguns momentos, distante das principais preocupações do eleitorado. Na avaliação desses petistas, temas como soberania nacional e terras raras ocuparam espaço que deveria ter sido destinado a questões relacionadas ao custo de vida.
Também houve divergências internas na campanha que acabaram expostas publicamente. Um dos episódios citados foi a discussão sobre as bets. De acordo com os relatos, Sidônio defendia o fim das apostas, enquanto o presidente nacional do PT, Edinho Silva, defendia uma solução gradual por meio do Congresso. A proposta de proibição acabou prevalecendo, mas a disputa interna ganhou espaço no debate político.
Custo de vida
Outro ponto levantado por integrantes do partido é a dificuldade da campanha em responder ao discurso de Flávio Bolsonaro sobre o custo de vida. A estratégia do candidato do PL utilizou como uma de suas imagens o carrinho de supermercado, associado à percepção de aumento dos preços.
Na avaliação dos petistas ouvidos pela CNN, o governo deveria ter explorado mais indicadores econômicos, como inflação, emprego e crescimento. Eles também defendem que a campanha explique fatores externos que contribuíram para a alta de determinados preços, citando o impacto do conflito no Oriente Médio sobre os combustíveis e eventos climáticos sobre os alimentos.
Uma ala do partido também avalia que medidas adotadas pelo governo durante o período eleitoral, como mudanças no Bolsa Família, medidas relacionadas às bets e renegociação de dívidas, não produziram o impacto esperado nas urnas.
Desaprovação do governo
Outra crítica interna diz respeito à avaliação do governo Lula. Segundo os petistas ouvidos pela CNN, a comunicação não teria conseguido reduzir de maneira significativa os índices de desaprovação ao longo do período eleitoral.
Essa avaliação é apresentada pelos integrantes do partido como um dos fatores que contribuíram para o resultado do primeiro turno. O diagnóstico, no entanto, faz parte da análise interna da legenda e não estabelece, por si só, uma relação causal entre a atuação da Secom e o desempenho eleitoral de Lula.
Estratégia para o segundo turno
Após o resultado, Lula convocou uma reunião com aliados em Brasília para discutir os próximos passos da campanha. Entre as possibilidades avaliadas pelo PT está uma mudança na estrutura de comunicação e uma maior dedicação do presidente às atividades eleitorais.
Outra frente discutida pelo partido é explorar questões relacionadas a Flávio Bolsonaro, incluindo sua relação política e pessoal com o banqueiro Daniel Vorcaro. O PT também pretende direcionar esforços aos eleitores que não compareceram às urnas no primeiro turno.
A disputa pelo segundo turno será realizada em 25 de outubro. A campanha de Lula entra nessa nova etapa após o presidente ter terminado o primeiro turno com 45,16% dos votos válidos, enquanto Flávio Bolsonaro alcançou 47,03%, segundo a totalização divulgada pelo TSE.