O copiloto acusado de atacar o comandante e tentar assumir o controle de um avião da Flydubai já havia sido retirado das funções de voo pela companhia aérea nacional de Omã após preocupações relacionadas a possíveis ideias extremistas.
Segundo fontes de inteligência e segurança ouvidas pela ABC News, o homem estava em treinamento para atuar como copiloto da Oman Air em 2024 quando foi encontrado com material considerado extremista. Ele teria ficado impedido de voar por um período, mas continuou trabalhando na empresa em uma função administrativa.
A informação também foi relatada por outros veículos com base em fontes próximas à investigação. Ainda não está claro, porém, se as autoridades ou a Oman Air comunicaram o histórico às demais companhias aéreas para as quais o homem trabalhou posteriormente.
Ataque ocorreu durante voo para Tel Aviv
O suspeito estava como copiloto do voo FZ1073, que saiu de Dubai com destino a Tel Aviv na quarta-feira (30). Durante a viagem, ele teria atacado o comandante com um machado de emergência e tentado interferir nos controles da aeronave.
O avião chegou a perder mais de 16 mil pés de altitude em cerca de 30 segundos enquanto sobrevoava a Arábia Saudita. O comandante, mesmo ferido, conseguiu abrir a porta da cabine, permitindo que passageiros entrassem e ajudassem a imobilizar o agressor.
Dois pilotos da Flydubai que estavam entre os passageiros assumiram os controles e conduziram a aeronave para um pouso de emergência em Tabuk, na Arábia Saudita.
Suspeito foi levado para os Emirados
Após o pouso, o copiloto foi detido pelas autoridades sauditas. Ele e o comandante receberam atendimento médico e posteriormente foram transferidos para os Emirados Árabes Unidos.
Investigadores israelenses devem participar dos interrogatórios e da apuração conduzida pelas autoridades emiradenses. O objetivo é esclarecer a motivação do ataque, verificar se houve planejamento prévio e determinar se o suspeito agiu sozinho ou recebeu algum tipo de orientação externa.
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou que o copiloto havia passado por um processo de “doutrinação islâmica radical”, mas as autoridades ainda investigam oficialmente a motivação do ataque.
Histórico levanta questionamentos sobre fiscalização
O caso passou a levantar questionamentos sobre como o suspeito conseguiu voltar a exercer funções de voo depois de ter sido afastado pela Oman Air.
A ABC informou que os investigadores tentam descobrir como ele posteriormente conseguiu trabalhar para outras companhias e, finalmente, ocupar a posição de copiloto em um voo com destino a Israel.
O homem também teria trabalhado para a Royal Air Maroc antes de ingressar na Flydubai. Segundo relatos publicados pela imprensa, ele permaneceu cerca de oito meses na companhia dos Emirados antes do ataque.
A identidade do suspeito foi atribuída por diferentes fontes a Hammam al-Hammami, cidadão de Omã. Até o momento, autoridades omanenses não confirmaram publicamente a identidade ou os detalhes de seu histórico.
A Flydubai informou que uma investigação oficial completa está em andamento e pediu que as conclusões sejam baseadas no processo de apuração, enquanto as autoridades tentam esclarecer as circunstâncias e a motivação do episódio.
