O deputado federal Sanderson (PL-RS), candidato ao Senado pelo Rio Grande do Sul, pediu ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), a decretação da prisão preventiva de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e de Roberta Moreira Luchsinger. O pedido foi apresentado por meio do Ofício nº 314/2026 e tem como base novos elementos relacionados às investigações que envolvem os dois.
Entre os fatos citados pelo parlamentar estão mensagens recuperadas do celular de Roberta que apontam para uma possível atuação da Embaixada do Brasil em Madri durante o processo de instalação de Lulinha e familiares na Espanha. As mensagens foram divulgadas nesta semana e mostram o então embaixador brasileiro em Madri, Orlando Leite Ribeiro, oferecendo auxílio à família.
Segundo as mensagens, Ribeiro se colocou à disposição para ajudar na escolha de escolas e afirmou que uma funcionária da embaixada poderia acompanhar visitas às instituições. Também aparecem referências a contatos relacionados à Universidade de Salamanca.
O Itamaraty confirmou que o setor educacional da Embaixada em Madri prestou apoio a Roberta Luchsinger, fornecendo informações e contatos de escolas locais. O Ministério das Relações Exteriores, porém, negou que uma van da representação tenha sido cedida ou utilizada para auxiliar na compra de móveis, como havia sido mencionado em uma das conversas. A pasta afirmou que o atendimento relacionado às escolas fazia parte do apoio prestado pela representação a brasileiros.
Pedido cita permanência de Lulinha na Espanha
No documento encaminhado ao STF, Sanderson afirma que os novos elementos devem ser analisados em conjunto com as demais informações já reunidas nas investigações. O deputado menciona a permanência de Lulinha na Espanha, seus vínculos empresariais no país e as relações pessoais citadas nas apurações.
O parlamentar ressalva, porém, que esses elementos, isoladamente, não permitiriam concluir que houve intenção de fuga. A argumentação apresentada é de que, caso seja comprovada alguma utilização irregular da estrutura diplomática em benefício dos investigados, o fato poderia ser considerado na avaliação sobre eventual risco à aplicação da lei penal.
O pedido também cita informações sobre movimentações financeiras, viagens, negócios, contatos com agentes públicos e possíveis intermediações perante órgãos federais.
Sanderson pede preservação de provas
Além da prisão preventiva, o deputado solicita a preservação de mensagens, e-mails, agendas, documentos e registros administrativos relacionados à atuação da Embaixada do Brasil em Madri.
Sanderson também pede que sejam identificados os agentes públicos que participaram das providências relacionadas à instalação dos investigados e de familiares na Espanha. O parlamentar quer informações sobre solicitações recebidas, providências adotadas, eventuais despesas e o uso de veículos, instalações, recursos ou serviços públicos.
O documento ressalta que a prisão preventiva não poderia ser determinada apenas pela existência das investigações. Segundo a argumentação apresentada ao STF, seria necessária a demonstração concreta dos requisitos previstos no artigo 312 do Código de Processo Penal, além da análise sobre a insuficiência de medidas cautelares alternativas.
O deputado afirma que o objetivo é permitir que os novos elementos sejam apurados pelas autoridades competentes e que, caso os requisitos legais estejam presentes, sejam adotadas as medidas consideradas necessárias.
O pedido ainda não representa uma decisão do STF sobre a prisão de Lulinha ou Roberta Luchsinger. A manifestação de Sanderson é uma solicitação apresentada ao ministro André Mendonça e deverá ser analisada no âmbito das investigações em curso.
