O temor de que declarações ou reações de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fossem transformadas em cortes nas redes sociais pesou na decisão do presidente de não participar do debate entre candidatos à Presidência promovido pela TV Globo nesta quinta-feira (1º).
Segundo apuração da CNN Brasil, integrantes da campanha consideraram que a exposição poderia trazer riscos ao candidato na reta final do primeiro turno, especialmente diante da possibilidade de falas isoladas serem retiradas de contexto e ganharem grande repercussão nas redes.
A equipe petista também avaliou que Lula poderia ser alvo de ataques dos adversários e reagir a provocações durante o confronto. Nesse cenário, uma declaração considerada inadequada poderia gerar desgaste em um momento próximo à votação.
A preocupação aumentou após um episódio ocorrido nesta semana, quando Lula se referiu a exames preventivos durante uma fala pública. O trecho foi posteriormente explorado nas redes sociais por integrantes da oposição. Segundo aliados ouvidos pela CNN, o episódio reforçou a avaliação sobre os riscos de uma exposição ao vivo.
Outro argumento considerado pela campanha foi o próprio formato do debate. Lula já havia criticado a dinâmica de confrontos entre candidatos, afirmando que o modelo favorece a produção de cortes para as redes sociais em vez da discussão de propostas.
A decisão, no entanto, também provocou preocupação dentro do PT. Parte dos aliados avaliava que a ausência poderia permitir que os adversários criticassem Lula sem que ele tivesse a oportunidade de responder. A TV Globo manteve o espaço destinado ao presidente vazio e estabeleceu regras para que os candidatos presentes também pudessem dirigir perguntas ao candidato ausente.
Lula confirmou a ausência no debate na quarta-feira (30). Com isso, o confronto desta quinta-feira reúne os candidatos Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD), Augusto Cury (Avante) e Romeu Zema (Novo).