A campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) passou a explorar politicamente a reação de clubes e torcedores à decisão do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de proibir as chamadas bets no Brasil. A estratégia é tentar transformar o impacto da medida no futebol em um novo ponto de desgaste para o presidente na reta final do primeiro turno.
A avaliação feita por aliados de Flávio é de que a retirada das empresas de apostas do mercado, especialmente dos patrocínios esportivos, pode provocar insatisfação entre torcedores e atingir eleitoralmente Lula. Dentro da campanha, circula uma estimativa de perda de 1% a 2% dos votos do presidente, embora não haja, até o momento, evidência pública que permita confirmar esse impacto eleitoral.
A Medida Provisória nº 1.394, editada em 25 de setembro, proibiu a exploração, oferta, intermediação e publicidade das apostas de quota fixa no território nacional. A norma também determina a retirada de publicidade e patrocínios relacionados às bets durante o período de transição.
Clubes no centro da discussão
A decisão provocou reação entre dirigentes do futebol, principalmente pela importância dos contratos de patrocínio de empresas de apostas para os clubes. O governo chegou a convocar uma reunião com representantes das equipes e da CBF para discutir os efeitos da medida, mas o encontro, previsto para 29 de setembro, foi adiado.
A campanha de Flávio acompanha a movimentação nas redes sociais para medir o nível de insatisfação entre torcedores. O objetivo é explorar eventuais críticas à decisão do governo e relacioná-las diretamente ao presidente.
Do outro lado, integrantes do governo têm argumentado que os clubes poderão buscar novos patrocinadores para substituir as empresas de apostas. A discussão ocorre enquanto as plataformas autorizadas entram em período de encerramento das operações. A partir de 6 de outubro, os sites e aplicativos de apostas deverão sair do ar, conforme o cronograma estabelecido pela medida provisória.
Religião também está no radar da campanha
A estratégia de Flávio ocorre paralelamente à tentativa de administrar os efeitos de uma onda de conteúdos falsos envolvendo Nossa Senhora Aparecida. Nos últimos dias, publicações nas redes sociais associaram o senador a um projeto que previa retirar a santa da condição de padroeira do Brasil. Flávio negou a existência de qualquer proposta nesse sentido e afirmou que sua equipe avalia medidas judiciais contra os responsáveis pela disseminação do conteúdo.
O episódio levou a campanha do candidato do PL a intensificar os acenos tanto ao eleitorado católico quanto ao evangélico. Flávio também passou a explicar uma declaração feita anteriormente sobre entregar o Brasil a Jesus Cristo caso assumisse a Presidência.
Segundo esclarecimento divulgado pela campanha, a referência seria a uma oração durante a cerimônia de posse. A equipe afirmou ainda que o senador defende o respeito às diferentes religiões e manifestações de fé.
Pastores aliados de Flávio também divulgaram manifestação em defesa da convivência entre católicos e evangélicos e para contestar informações sobre uma suposta intenção de alterar feriados ou restringir manifestações religiosas.
Com a eleição na reta final, a campanha passou a trabalhar simultaneamente os efeitos políticos da proibição das bets e o debate religioso, dois temas que ganharam espaço nas estratégias dos candidatos nos últimos dias. A CNN também identificou esses assuntos entre os principais eixos da disputa pelo eleitorado na reta final do primeiro turno.
