Um novo acordo de segurança firmado pelos Estados Unidos, Dinamarca e Groenlândia abriu caminho para uma ampliação da presença militar americana na ilha ártica. O documento atualiza o pacto de defesa firmado em 1951 e estabelece novas condições para a atuação das Forças Armadas dos EUA no território.
Entre as principais mudanças está a autorização para ampliar as atividades na Pituffik Space Base, atualmente a principal instalação militar americana na Groenlândia. O acordo também prevê a criação de novas áreas de defesa em Narsarsuaq, no sul da ilha, e Mestersvig, na região leste.
O texto ainda permite que os militares americanos tenham acesso e circulação entre as áreas de defesa por terra, mar e ar. Aeronaves dos EUA poderão sobrevoar e pousar em diferentes pontos do território, enquanto embarcações militares terão acesso às águas territoriais, conforme as condições estabelecidas no pacto.
Presença militar pode crescer
Apesar de Donald Trump ter anunciado uma expansão significativa da presença americana, especialistas citados em análises sobre o acordo avaliam que o aumento inicial do contingente pode ser relativamente limitado.
A ampliação, porém, tem importância estratégica para Washington. O Ártico vem recebendo atenção crescente de Estados Unidos, Rússia, China, Canadá e países europeus, em razão de sua posição geográfica, dos recursos naturais e das novas possibilidades de navegação provocadas pelo recuo do gelo.
O acordo também contempla a possibilidade de instalação do sistema de defesa antimísseis conhecido como “Domo de Ouro”, projeto defendido pelo governo Trump.
Rússia e China no foco
Outro ponto relevante do entendimento envolve a influência de países que não fazem parte da Otan. O pacto estabelece restrições e mecanismos de controle sobre determinadas atividades e investimentos considerados sensíveis na Groenlândia.
A medida é interpretada por especialistas como uma forma de limitar a presença estratégica de China e Rússia na região, em meio à crescente disputa por influência no Ártico.
Acordo não transfere a Groenlândia aos EUA
Apesar das declarações anteriores de Trump sobre a possibilidade de assumir o controle da Groenlândia, o novo pacto não transfere a soberania do território para os Estados Unidos. A ilha continua sendo uma parte autônoma do Reino da Dinamarca.
O acordo, no entanto, garante aos americanos uma presença militar ampliada e estabelece que determinadas disposições de defesa continuarão válidas mesmo diante de uma eventual independência da Groenlândia.
A entrada definitiva do acordo em vigor depende da conclusão dos procedimentos parlamentares necessários na Dinamarca e na Groenlândia.
