Mais de três meses depois de autorizar a Polícia Federal a acessar os dados armazenados no iCloud de Luiz Phillipi Mourão, conhecido como “Sicário”, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), ainda não teria recebido o material, segundo informações divulgadas neste domingo (27).
Mendonça autorizou a quebra do sigilo dos dados em junho, durante o julgamento na Segunda Turma do STF que analisava as prisões de Henrique e Felipe Vorcaro, pai e primo do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Na ocasião, o ministro afirmou que havia determinado anteriormente a preservação do conteúdo armazenado na nuvem e que havia autorizado o acesso pela PF. “Tem mais coisa por vir”, declarou durante a sessão.
Material chamou atenção da investigação
O interesse pelo conteúdo do iCloud ganhou força depois que investigadores identificaram mensagens envolvendo Joana Mourão, irmã de Sicário.
Segundo relatório da PF tornado público por Mendonça, Joana afirmou ter acesso a arquivos armazenados na conta do irmão e disse que o material poderia comprometer a família Vorcaro. As mensagens foram utilizadas nas investigações para apurar possíveis tentativas de pressionar ou silenciar testemunhas.
Um familiar chegou a relatar que Joana teria “visto coisa demais” e precisado tomar medicamentos, informação que também foi mencionada no contexto das investigações.
Irmã de Sicário mudou versão
Em setembro, porém, Joana prestou depoimento à Polícia Federal e apresentou uma versão diferente sobre o conteúdo a que teve acesso.
Segundo documento citado pela imprensa, ela afirmou que as mensagens nas quais dizia ter material capaz de “acabar com a família inteira” foram escritas em um momento de fragilidade emocional. Também declarou que os arquivos acessados no iCloud diziam respeito a contratos imobiliários e que não havia identificado elementos que apontassem para crimes cometidos pelo irmão ou por integrantes da família Vorcaro.
A informação acrescenta uma nova camada ao debate sobre o conteúdo armazenado na conta de Sicário.
PF ainda precisa entregar material
Apesar da autorização dada por Mendonça em junho, a informação divulgada neste domingo é que o ministro ainda não recebeu os dados que determinou que fossem acessados.
O conteúdo pode ser relevante para o andamento das investigações do Caso Master, que apuram suspeitas envolvendo Daniel Vorcaro e pessoas ligadas ao Banco Master.
Sicário, apontado pela investigação como um dos operadores ligados a Vorcaro, morreu enquanto estava sob custódia da Polícia Federal em Minas Gerais, em março deste ano.
A eventual análise dos dados do iCloud dependerá da disponibilização do material pela Polícia Federal e poderá esclarecer se os arquivos contêm informações relevantes para as investigações ou apenas os documentos mencionados posteriormente por Joana Mourão.