O vice-presidente do Vila Nova, Hugo Jorge Bravo, elevou o tom das críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante uma discussão sobre o futuro das plataformas de apostas esportivas no Brasil.
Em entrevista, o dirigente chamou Lula de “estelionatário” e “bandido” ao questionar a decisão do governo de avançar contra as bets, setor que havia sido regulamentado pela própria administração federal.
“O que é isso aí? Isso é bandido. É bandido, é coisa de quem já tem passagem pela polícia”, declarou Hugo Bravo.
A fala ocorreu depois de o dirigente questionar a mudança de posição do governo. Segundo ele, as empresas foram autorizadas a operar, passaram a pagar impostos e firmaram contratos com clubes de futebol, mas agora enfrentam a possibilidade de encerramento das atividades.
Vila Nova prevê impacto financeiro
Hugo Bravo afirmou que uma eventual proibição das bets teria impacto direto nas receitas do Vila Nova. Segundo o dirigente, o clube poderia perder entre 30% e 40% de sua arrecadação.
A preocupação envolve principalmente contratos de patrocínio e publicidade firmados com empresas do setor. O dirigente afirmou que uma redução dessa magnitude poderia dificultar o cumprimento das obrigações financeiras do clube e até provocar atrasos salariais.
“Vamos cair já agora em torno de 30%, 40% da receita do Vila. E aí, quem vai pagar a conta? Nós vamos atrasar salário?”, questionou.
Lula anunciou intenção de acabar com as bets
As declarações de Hugo Bravo ocorreram após Lula afirmar publicamente que pretende acabar com as bets no país. Em evento realizado no Rio de Janeiro, o presidente disse que pretende combater os efeitos da dependência em apostas e afirmou que as plataformas serão alvo de medidas do governo.
Em ato realizado no Recife, nesta sexta-feira (25), Lula voltou a defender o fim das apostas eletrônicas e relacionou o tema ao endividamento e à ludopatia.
O debate também ganhou espaço no futebol brasileiro, já que diversos clubes possuem contratos comerciais com empresas de apostas.
Dirigente questiona mudança de regras
Bravo também criticou a ausência, segundo ele, de um período de transição para que os clubes pudessem reorganizar suas receitas.
O vice-presidente do Vila Nova defendeu a manutenção de algum tipo de regulamentação para as apostas esportivas e afirmou ser contrário aos cassinos on-line. Para ele, uma proibição das plataformas legais poderia favorecer o mercado clandestino.
A discussão ocorre em meio à campanha eleitoral de 2026, período em que o tema das bets passou a ocupar espaço nos discursos dos candidatos e também provocou reação de dirigentes esportivos.