Tarifa média chegou a R$ 776,87 em agosto, alta de 14,5% em um ano; preço do querosene de aviação também avançou
A alta recente das passagens aéreas voltou a colocar em evidência uma promessa feita por Luiz Inácio Lula da Silva durante a campanha presidencial de 2022: criar condições para reduzir os custos da aviação e facilitar o acesso dos brasileiros às viagens.
Em setembro daquele ano, durante encontro com representantes do setor de turismo, Lula afirmou que pretendia reduzir o preço do querosene de aviação (QAV), apontado pelas empresas como um dos principais componentes dos custos das passagens. Na ocasião, ele também reconheceu que havia outros fatores envolvidos e afirmou que a passagem aérea estava cara.
Quatro anos depois, entretanto, o comportamento das tarifas continua oscilando.
Nova alta em agosto
Dados mais recentes da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), divulgados nesta terça-feira (22), mostram que a tarifa real média das passagens domésticas chegou a R$ 776,87 por trecho em agosto de 2026.
O valor representa uma alta de 14,5% em relação a agosto de 2025 e de 15,1% ante agosto de 2024, considerando os valores corrigidos pela inflação. Em relação a julho deste ano, quando a média foi de R$ 703,47, houve aumento de aproximadamente 10,4%.
O combustível utilizado pelas companhias aéreas também registrou forte aumento. O preço médio do QAV alcançou R$ 4,98 por litro em agosto, alta de 31,8% em relação ao mesmo mês de 2025.
A promessa e os números do governo
A comparação, porém, precisa considerar todo o período. Os dados oficiais mostram que as tarifas não subiram continuamente desde 2022.
Segundo levantamento do Ministério de Portos e Aeroportos baseado em dados da ANAC, a tarifa média real entre janeiro e outubro caiu de R$ 721,57 em 2022 para R$ 642,19 em 2025, uma redução de aproximadamente 11%. (Serviços e Informações do Brasil)
O próprio governo federal informou que a tarifa média anual de 2025 ficou em R$ 647,67, representando redução real de 10,9% em relação a 2022. (Serviços e Informações do Brasil)
Portanto, os dados não sustentam a afirmação de que as passagens ficaram mais caras durante todo o período. Houve uma queda relevante entre 2022 e 2025. O cenário de 2026, entretanto, apresenta uma nova pressão de alta.
O problema do combustível
O QAV continua sendo um dos fatores importantes para explicar os custos do setor. Em junho de 2026, por exemplo, a ANAC registrava preço médio de R$ 5,66 por litro, 57,6% acima do mesmo mês de 2025. Naquele mês, a tarifa média foi de R$ 660,54. (Serviços e Informações do Brasil)
Em agosto, apesar de o preço do QAV ter recuado em relação ao pico de junho, ele ainda estava 31,8% acima do valor registrado um ano antes, enquanto as tarifas aéreas subiram 14,5% na mesma comparação.
Passagem média não significa que todos pagaram R$ 776
Outro ponto importante é que a média divulgada pela ANAC não representa o preço de todas as passagens disponíveis.
Em agosto, 34,8% dos assentos comercializados custaram menos de R$ 500, enquanto 9,2% foram vendidos por mais de R$ 1.500. A metodologia considera o valor efetivamente pago pelo transporte aéreo e não inclui taxas de embarque ou serviços adicionais, como bagagem e marcação de assento.
O que os números mostram
A promessa de 2022 estava relacionada à criação de condições para que os brasileiros viajassem mais e à redução de custos do setor, especialmente do combustível. O histórico posterior mostra que as tarifas caíram em termos reais entre 2022 e 2025, mas a queda não foi linear nem permanente.
Agora, com a alta registrada em agosto de 2026, o preço médio voltou a um patamar elevado: R$ 776,87 por trecho, 15,1% acima do registrado dois anos antes. Ao mesmo tempo, o QAV apresenta forte alta anual.
Assim, a realidade atual é mais complexa do que uma simples comparação entre “promessa cumprida” ou “promessa não cumprida”: houve redução das tarifas em parte do período do governo, mas o consumidor voltou a enfrentar uma forte alta em 2026, enquanto os custos do combustível permanecem pressionando o setor.