Um ataque cibernético contra a plataforma BRBJUS, do Banco de Brasília (BRB), resultou no desvio de aproximadamente R$ 43 milhões em recursos provenientes de depósitos judiciais do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA). O incidente atingiu o ambiente tecnológico administrado pelo banco e não os sistemas internos do tribunal.
O caso veio a público após o TJ-BA comunicar ter recebido um relato de incidente de segurança envolvendo o BRBJUS, plataforma utilizada para a gestão de depósitos judiciais. Segundo o tribunal, o BRB reconheceu um comportamento atípico no sistema e iniciou uma investigação para identificar a causa do problema, reconstruir a cronologia do ataque e verificar os mecanismos de acesso utilizados.
O TJ-BA destacou que os usuários e as credenciais envolvidos nos acessos são administrados pelo próprio BRB. A Corte também afirmou que não foi identificado nenhum incidente de segurança em sua infraestrutura tecnológica, que permanece operando normalmente e sob monitoramento preventivo.
Em nota, o BRB informou que identificou uma indisponibilidade nos serviços relacionados ao BRBJUS e mobilizou equipes técnicas para apurar o ocorrido. O banco afirmou ainda que os serviços estão sendo restabelecidos de forma gradual e que não haverá prejuízo financeiro aos tribunais, às contas judiciais ou aos respectivos beneficiários.
O episódio ocorre em meio a uma disputa judicial envolvendo a permanência do BRB na administração dos depósitos do TJ-BA. Em agosto, o ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a manutenção do contrato por mais 90 dias. O TJ-BA havia planejado transferir a administração dos recursos para a Caixa Econômica Federal.
Após o incidente, o Tribunal de Justiça da Bahia acionou o STF e informou o ocorrido nos autos do processo. A Corte também afirmou que está adotando medidas administrativas e judiciais relacionadas ao caso.
As circunstâncias da invasão, a forma como os valores foram retirados e a identidade dos responsáveis ainda estão sendo investigadas. Até o momento, não há confirmação oficial sobre a autoria ou a eventual motivação do ataque.