Os Estados Unidos e países da América Latina e do Caribe anunciaram uma nova etapa de cooperação para combater organizações criminosas transnacionais envolvidas com o tráfico de drogas. A iniciativa faz parte do chamado “Escudo das Américas”, coalizão liderada por Washington que busca ampliar a troca de informações e a coordenação de ações de segurança na região.
Segundo a declaração conjunta divulgada pelos governos participantes, 24 organizações foram classificadas como narcoterroristas. A medida prevê, de acordo com a legislação de cada país, ações como congelamento de bens, restrições de imigração e de vistos para integrantes, associados e apoiadores, além de responsabilização de pessoas que forneçam apoio material aos grupos.
Entre as organizações mencionadas estão a Mara Salvatrucha (MS-13), Barrio 18, Trem de Aragua, Cartel de Sinaloa, Cartel de Jalisco Nueva Generación (CJNG), Cartel del Golfo, Cartel de Juárez, Gran Grif, Viv Ansanm, Los Lobos, Los Choneros, Cartel de los Soles, Clan del Golfo, Primeiro Comando da Capital (PCC), Comando Vermelho, Los Viagras, ELN, Sendero Luminoso e Los Tiguerones. Também aparecem na relação o Cartel del Nordeste, a Nova Família Michoacana, os Assassinos Chone e grupos dissidentes das FARC.
A classificação integra uma estratégia que vem sendo ampliada pelo governo dos Estados Unidos. Em setembro, o Peru anunciou sua entrada no Escudo das Américas, com o objetivo de acelerar o compartilhamento de informações e fortalecer ações conjuntas contra organizações criminosas que atuam em diferentes países.
A Colômbia também passou a integrar a iniciativa. Com as novas adesões, a coalizão reúne governos que pretendem coordenar esforços de inteligência, treinamento e operações de segurança contra o crime organizado transnacional.
Além da área de segurança, o documento prevê cooperação econômica. Os países afirmam que pretendem desenvolver mecanismos de análise de investimentos, proteger cadeias de fornecimento de minerais considerados críticos e estimular o uso de fornecedores considerados confiáveis para projetos de infraestrutura digital.
Outro eixo da declaração envolve a soberania nacional e a autodeterminação dos países participantes, com a utilização de fóruns multilaterais para tratar de questões relacionadas à segurança regional.
Como uma das primeiras medidas conjuntas, os governos pretendem solicitar ao presidente do Conselho Permanente da Organização dos Estados Americanos (OEA) uma reunião sobre o Tratado Interamericano de Assistência Recíproca (TIAR), também conhecido como Tratado do Rio. A proposta é discutir possíveis ações coletivas diante da atuação de organizações criminosas classificadas pelos países como narcoterroristas.
O Escudo das Américas foi lançado pelo governo norte-americano em março de 2026, com a participação inicial de países considerados aliados de Washington. A iniciativa foi apresentada como uma estrutura para ampliar a cooperação em segurança, combate ao tráfico de drogas e enfrentamento de organizações criminosas transnacionais.
A nova declaração representa mais um passo na ampliação dessa cooperação regional e ocorre em meio ao aumento da participação de governos latino-americanos em ações coordenadas com os Estados Unidos contra o tráfico internacional de drogas e outras atividades do crime organizado.