O jornal O Globo classificou como “ardil eleitoreiro” o reajuste de 15,04% no Bolsa Família anunciado pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva. A avaliação foi publicada em editorial nesta sexta-feira (18), que questionou principalmente o momento escolhido para a correção dos benefícios.
O reajuste foi oficializado pelo Decreto nº 13.120, publicado em 17 de setembro. Com a medida, o valor mínimo do programa passou de R$ 600 para R$ 691, enquanto o benefício médio estimado subirá de R$ 675 para R$ 777. A atualização corresponde à variação acumulada do INPC entre março de 2023 e agosto de 2026.
Os novos valores serão aplicados na folha de outubro, com os primeiros pagamentos previstos a partir de 19 de outubro. O governo afirma que a medida recompõe a perda do poder de compra dos benefícios desde março de 2023 e representa a primeira atualização pela inflação desde a retomada do atual modelo do programa.
Crítica ao momento do reajuste
No editorial, O Globo questiona o fato de o anúncio ter ocorrido às vésperas do primeiro turno das eleições de 2026 e relembra críticas feitas por Lula, quando candidato em 2022, a medidas de ampliação de benefícios sociais durante o período eleitoral.
O jornal também faz referência à decisão do Supremo Tribunal Federal que, em 2024, considerou inconstitucionais dispositivos da Emenda Constitucional 123/2022 relacionados à criação e ampliação de benefícios sociais naquele ano eleitoral.
O próprio editorial, porém, diferencia os dois casos: enquanto a medida de 2022 envolveu ampliação de benefícios, o reajuste atual foi apresentado pelo governo como uma correção pela inflação.
Impacto nas contas públicas
Segundo o governo, a atualização terá impacto estimado de R$ 5,8 bilhões nas despesas de 2026 e de R$ 22,7 bilhões em 2027. O Executivo afirma que o aumento foi calculado para preservar o poder de compra das famílias beneficiárias.
O editorial também questiona a forma como o governo pretende acomodar a nova despesa dentro das regras fiscais. A avaliação de que a medida possui caráter eleitoral é uma posição expressa pelo jornal em seu editorial, e não uma conclusão judicial sobre a legalidade do reajuste.
