Um relatório de inteligência produzido com auxílio de inteligência artificial quase levou os Estados Unidos a realizar uma operação militar contra um navio chinês no Oriente Médio. O caso ocorreu durante a guerra com o Irã, no primeiro semestre deste ano, e foi revelado pela CNN nesta sexta-feira (18).
Segundo fontes ouvidas pela emissora, o documento indicava que a embarcação chinesa transportava componentes relacionados a um programa de armas nucleares. A informação provocou uma reação imediata das autoridades militares americanas, que começaram a preparar uma operação para interceptar o navio.
A mobilização chegou a envolver aeronaves militares dos Estados Unidos no ar e integrantes das Forças Armadas preparados para uma possível abordagem da embarcação. Antes que a operação fosse executada, porém, autoridades decidiram revisar as informações que haviam embasado o relatório.
Foi então identificado que a inteligência estava incorreta e que o chatbot utilizado por um analista havia interpretado de forma equivocada a carga transportada pelo navio. A operação foi cancelada antes de qualquer abordagem.
De acordo com a CNN, o analista trabalhava para uma unidade de operações especiais e utilizou a IA para analisar uma combinação de informações de inteligência e dados disponíveis publicamente. Posteriormente, o próprio sistema também teria sido usado para organizar as conclusões em um relatório com formato oficial.
Ainda não está claro se a ferramenta utilizada era um serviço comercial ou um sistema de inteligência artificial desenvolvido para uso interno do governo americano.
O episódio ganhou repercussão por envolver diretamente Estados Unidos e China, duas potências militares. Uma fonte ouvida pela CNN classificou o caso como uma situação que “quase começou uma guerra”, enquanto a própria emissora destacou o risco de uma escalada internacional caso a interceptação tivesse ocorrido com base na informação falsa.
O caso também reacende o debate sobre o uso de inteligência artificial em atividades militares e de inteligência, especialmente em situações nas quais erros de interpretação podem influenciar decisões com consequências reais.
Até o momento, o Pentágono e o Comando de Operações Especiais dos Estados Unidos não haviam respondido aos pedidos de comentário da CNN.