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Início Brasil

Planalto tratou reajuste do Bolsa Família como “segredo de Estado” em meio a pressão sobre a campanha de Lula

Por Junior Melo
18/set/2026
Em Brasil, Eleições, Política
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante anúncio de reajuste do Bolsa Família no Palácio do Planalto, acompanhado dos ministros Wellington Dias (Desenvolvimento Social), Miriam Belchior (Casa Civil) e Dario Durigan (Fazenda) — Foto: Foto: Ricardo Stuckert

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante anúncio de reajuste do Bolsa Família no Palácio do Planalto, acompanhado dos ministros Wellington Dias (Desenvolvimento Social), Miriam Belchior (Casa Civil) e Dario Durigan (Fazenda) — Foto: Foto: Ricardo Stuckert

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O Palácio do Planalto manteve em sigilo as discussões finais para o anúncio do reajuste de 15% do Bolsa Família, divulgado nesta quinta-feira. A medida foi anunciada a 17 dias do primeiro turno das eleições e ocorre em meio a um cenário de disputa acirrada nas pesquisas de intenção de voto.

Segundo relatos de integrantes do governo, as tratativas foram conduzidas por um grupo restrito de ministros e assessores próximos ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Alguns integrantes do primeiro escalão teriam sido informados sobre o conteúdo do anúncio apenas pouco antes da divulgação.

O ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias, responsável pelo Bolsa Família, afirmou que a orientação era manter o assunto em sigilo até a definição do momento do anúncio.

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“A ordem era segredo de Estado, não tinha segurança exata do momento do anúncio”, declarou Dias.

Reajuste e espaço no Orçamento

Lula vinha solicitando há meses que sua equipe encontrasse alternativas para ampliar o valor do Bolsa Família, considerado uma das principais marcas das administrações petistas.

A medida, porém, dependia de espaço fiscal no Orçamento e da avaliação sobre o momento adequado para sua implementação. Trata-se do primeiro reajuste do piso do benefício durante o atual mandato de Lula.

De acordo com um auxiliar do presidente que acompanhou as discussões, o aval para o reajuste ocorreu após dados preliminares da execução orçamentária indicarem saldo positivo na previsão relacionada à meta de zerar a fila da Previdência.

A partir desse espaço, R$ 5,8 bilhões foram remanejados para ampliar o benefício a partir de outubro, segundo o relato.

A proposta foi discutida por uma equipe restrita e posteriormente levada a Lula. Os trâmites finais incluíram consulta à Advocacia-Geral da União (AGU).

O governo também buscou reunir informações jurídicas para evitar questionamentos na Justiça Eleitoral. A justificativa apresentada pelo Planalto é de que o aumento poderia ser realizado com ampliação da inflação.

Entre os integrantes do governo que acompanharam as discussões estavam Bruno Moretti, do Planejamento; Miriam Belchior, da Casa Civil; Dario Durigan, da Fazenda; e Wellington Dias.

Medida ocorre durante campanha eleitoral

O reajuste foi anunciado em um momento de pressão sobre a campanha de Lula. Segundo a pesquisa Quaest mencionada no material, divulgada na segunda-feira, o presidente passou de 49% para 45% entre eleitores com renda de até dois salários mínimos, enquanto Flávio Bolsonaro (PL-RJ) avançou de 18% para 22% nesse segmento entre 7 e 14 de setembro.

Diante desse cenário, a campanha de Lula tem ampliado o debate sobre custo de vida e poder de compra das famílias de menor renda, incluindo comparações entre os preços dos alimentos nos governos Lula e Jair Bolsonaro.

Integrantes do Planalto procuraram a cúpula do Congresso antes de tornar pública a decisão de editar o decreto. Embora um decreto presidencial não dependa de aprovação do Legislativo, deputados e senadores podem apresentar projetos de decreto legislativo para tentar sustar seus efeitos.

Críticas e defesa do governo

Governistas avaliam que uma eventual iniciativa do Congresso contra o reajuste dificilmente avançaria, por se tratar de uma medida de grande alcance e popularidade. Integrantes do Centrão, porém, afirmaram, sob reserva, que enxergam na medida uma tentativa da campanha petista de recuperar fôlego durante a disputa eleitoral.

Também não estava descartada, segundo os relatos, a utilização do reajuste no horário eleitoral de Lula, embora não houvesse decisão sobre isso no momento.

Adversários do presidente criticaram o anúncio, enquanto aliados comemoraram a medida. Um integrante do Planalto reconheceu que a proximidade com o primeiro turno poderia levar parte da opinião pública a interpretar o reajuste como uma medida eleitoreira.

Segundo esse integrante, o governo deverá argumentar que foram cumpridas as exigências legais e que havia espaço fiscal para o aumento.

Wellington Dias rejeitou a avaliação de que o reajuste teria motivação eleitoral.

“Não. Mesmo sabendo que há os que são contra despesas para o Bolsa Família, há também por parte da ampla maioria da população a compreensão que dar a inflação para a renda de quem mais precisa é justo”, afirmou o ministro.

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