O governo do presidente Donald Trump teria solicitado ao Brasil, durante as negociações relacionadas às tarifas impostas pelos Estados Unidos, que “dissidentes políticos” pudessem disputar as eleições de 2026.
A informação foi confirmada nesta quinta-feira (17) à TV Globo por fontes do Itamaraty, após o jornal O Estado de S. Paulo divulgar a existência do pedido.
Segundo integrantes da diplomacia brasileira ouvidos pela reportagem, a proposta teria sido apresentada pelos Estados Unidos durante as negociações sobre o chamado tarifaço anunciado contra produtos brasileiros.
As fontes não informaram quais pessoas seriam consideradas “dissidentes políticos” pelo governo americano. No ano passado, porém, Trump havia feito críticas ao tratamento dado ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e acusado o Brasil de promover uma “caça às bruxas”.
Brasil teria rejeitado proposta
De acordo com as fontes do Itamaraty, o governo brasileiro rejeitou a proposta por considerar que o documento continha “absurdos”.
Ainda segundo os diplomatas, o pedido não chegou a integrar oficialmente os pontos de negociação entre os dois países. A proposta teria circulado apenas entre integrantes de nível técnico das diplomacias brasileira e americana.
O assunto, conforme as informações divulgadas, não teria chegado a autoridades de alto escalão, como o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, ou os presidentes Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva.
Até a última atualização da reportagem, o governo dos Estados Unidos não havia se manifestado sobre a informação.
Trump já havia citado Bolsonaro
Em 2025, ao anunciar o aumento das tarifas sobre produtos brasileiros, Trump enviou uma carta a Lula na qual criticou o tratamento dado a Jair Bolsonaro.
Na ocasião, o presidente americano afirmou que o julgamento do ex-presidente pelo Supremo Tribunal Federal (STF) era uma “Caça às Bruxas” e defendeu o fim do processo.
Trump também afirmou, na carta, que as medidas comerciais contra o Brasil estavam relacionadas, entre outros pontos, ao que classificou como ataques do país a eleições livres.
A manifestação ocorreu em meio ao agravamento das divergências entre os governos brasileiro e americano.
Proposta não teria chegado aos presidentes
Apesar de ter sido apresentada durante as negociações diplomáticas, a proposta relatada pelas fontes não teria chegado diretamente a Lula ou Trump.
Segundo as informações divulgadas, o assunto permaneceu restrito a integrantes técnicos das chancelarias dos dois países e não teria sido incorporado à mesa principal das negociações.
Até o momento, portanto, o pedido é conhecido com base nos relatos de fontes do Itamaraty e na reportagem que revelou o documento, enquanto não há manifestação pública do governo americano sobre o conteúdo.
Com informações de G1
