O jornal britânico Financial Times afirmou que a disputa entre os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), pode ter “impacto decisivo” nas eleições presidenciais brasileiras de outubro.
A reportagem, publicada na edição de domingo (13), aborda as tensões internas na Corte após a divulgação de supostas ligações entre Daniel Vorcaro, apontado como mentor de uma fraude bancária bilionária, e Moraes. O ministro foi responsável por decisões que levaram à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro à prisão.
Segundo o Financial Times, o episódio “coloca uma sombra” sobre a disputa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). O jornal destaca que o caso pode atingir a imagem de Lula, que é frequentemente associado a Moraes por seus adversários.
“Embora Lula não tenha sido acusado no caso Banco Master, isso atinge o ponto fraco para o veterano, que no passado foi preso por corrupção, com condenações posteriormente anuladas”, afirmou o jornal.
Por outro lado, a publicação também aponta que Flávio Bolsonaro foi implicado no caso após vir à tona, em maio, que ele recebeu milhões de dólares do proprietário do Banco Master para financiar um filme sobre seu pai, Jair Bolsonaro, que cumpre pena de 27 anos.
Financial Times aponta desgaste do STF
Para o jornal britânico, o caso teria “manchado a credibilidade” do STF, instituição que, segundo a publicação, havia recebido reconhecimento internacional por sua atuação contra a tentativa de golpe atribuída a apoiadores de Jair Bolsonaro após a derrota eleitoral de 2022.
O Financial Times também afirma que o episódio “revitalizou a direita brasileira”, que há anos acusa Moraes de perseguir injustamente conservadores e restringir a liberdade de expressão.
A reportagem acrescenta que setores da esquerda, por sua vez, acusam Mendonça de adotar medidas favoráveis a Flávio Bolsonaro, incluindo a autorização de uma investigação contra Lulinha, filho de Lula, por alegações de lobby indevido.
Pressão sobre Alexandre de Moraes
Ainda de acordo com o Financial Times, as revelações aumentaram a pressão sobre Moraes, que, segundo o jornal, passou a exercer “um poder incomum” nos últimos anos.
O ministro também já havia sido alvo de questionamentos relacionados a um contrato de R$ 130 milhões entre o Banco Master e o escritório de advocacia de sua esposa. Moraes negou anteriormente as alegações de que teria atuado em favor da instituição financeira.
Com informações de CNN Brasil