O ministro Flávio Dino afirmou ter tido dificuldades para dormir por causa do “barulho” vivido atualmente no Supremo Tribunal Federal (STF). Durante uma palestra na Universidade Federal do Maranhão (UFMA), na sexta-feira (11), Dino fez referência à crise entre integrantes da Corte, sem citar nomes.
“Eu queria dormir e minha cabeça não deixava. E eu dizia: ‘Vamos dormir’. E ela dizia: ‘Como que dorme com um barulho desse?’”, afirmou o ministro.
Dino relatou que chegou a São Luís por volta das 2h, mas só conseguiu dormir às 4h. Durante a palestra, comparou sua presença na universidade à sensação de estar em uma “cama quentinha”.
“Todo mundo sabe as dificuldades que a gente está vivendo e, portanto, estar aqui é como você estar numa cama quentinha”, declarou.
Moraes x Mendonça
A crise no STF se intensificou após o ministro André Mendonça retirar o sigilo de um relatório da Polícia Federal que continha mensagens enviadas por Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, para um número de celular atribuído ao ministro Alexandre de Moraes.
Mendonça pediu que o plenário analisasse a possibilidade de investigar Moraes.
Moraes reagiu e pediu a investigação de Mendonça com base em relatórios da PF descritos como apócrifos. Posteriormente, Edson Fachin retirou o caso da relatoria de Moraes e assumiu a condução dos procedimentos relacionados ao conflito entre os ministros.
Crise chega à Polícia Federal
A disputa também alcançou o comando da Polícia Federal. Em 8 de setembro, Mendonça determinou o afastamento do diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência, Leandro Almada.
No dia seguinte, Dino determinou a reintegração dos dois. Fachin suspendeu as decisões conflitantes e manteve Andrei Rodrigues no cargo.
Recado de Mendonça a Dino e Moraes
Ao determinar que a Polícia Federal apurasse o vazamento de informações relacionadas às investigações envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, Mendonça fez críticas direcionadas a Moraes e Dino.
Dino e Moraes têm sido criticados em razão da quebra do sigilo da fonte de um jornalista que fez denúncias envolvendo o ministro maranhense.
Na decisão, Mendonça afirmou que cabe aos peritos e investigadores da PF preservar o sigilo das informações acessadas, e não aos jornalistas, que exercem legitimamente a profissão.
Com informações de O Antagonista.