Pesquisa Datafolha divulgada neste sábado (12) mostra que 76% dos entrevistados consideram que os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) têm poder demais. Outros 18% discordam, 3% não concordam nem discordam e 4% não souberam responder.
O levantamento também mediu a percepção da população sobre a imagem da Corte. 77% concordam que “as pessoas acreditam menos no STF agora do que no passado”. Outros 16% discordam, 3% não concordam nem discordam e 4% não responderam.
Apesar da avaliação negativa sobre o excesso de poder e a perda de confiança, 71% afirmam que o STF é essencial para proteger a democracia no Brasil. Nesse ponto, 21% discordam, 3% não concordam nem discordam e 5% não souberam responder.
A pesquisa foi encomendada pela Folha de S.Paulo e pela Globo. O Datafolha ouviu 2.002 pessoas com 16 anos ou mais entre 8 e 10 de setembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O registro no TSE é BR-01833/2026.
Crise no STF se intensificou
A crise no Supremo ganhou força após a divulgação de um relatório da Polícia Federal produzido no âmbito do caso Banco Master. Tornado público em 1º de setembro por decisão do ministro André Mendonça, o documento reúne mensagens enviadas pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro a um contato atribuído pelos investigadores ao ministro Alexandre de Moraes.
As mensagens incluem pedidos de orientação e proteção diante do avanço das investigações. Parte delas foi trocada antes da primeira prisão de Vorcaro, em novembro de 2025. Como o material foi extraído do celular do ex-banqueiro, o relatório não contém eventuais respostas de Moraes.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu a nulidade do documento, e o plenário do STF deverá analisar o caso.
Em 3 de setembro, Moraes apresentou informações que, segundo ele, indicariam possíveis irregularidades na atuação de Mendonça, incluindo, em tese, improbidade administrativa, abuso de autoridade, crime de responsabilidade e possível favorecimento político na condução de apurações relacionadas aos casos Master e INSS. Os documentos, porém, continham ressalvas de que as informações não tinham valor probatório.
Moraes pediu que Mendonça fosse investigado no inquérito das fake news, do qual era relator. Mendonça afirmou ter sido alvo de monitoramento pela PF e apontou possíveis irregularidades nos documentos utilizados contra ele. Posteriormente, Edson Fachin retirou o pedido do inquérito das fake news e assumiu a relatoria.
Disputa chega ao comando da PF
No dia 8, Mendonça determinou o afastamento do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência, Leandro Almada. O ministro afirmou que havia sido submetido a monitoramento ilegal.
No dia seguinte, Flávio Dino determinou a reintegração dos dois diretores. Fachin posteriormente suspendeu as decisões conflitantes, mantendo Andrei no cargo e solicitando explicações ao diretor-geral da PF.
Em manifestação enviada a Fachin nesta sexta-feira (11), Andrei Rodrigues negou que a PF tenha monitorado Mendonça e afirmou que os relatórios foram produzidos regularmente pela área de inteligência da corporação e encaminhados a Moraes em cumprimento de ordem judicial.
Fachin convocou para terça-feira (15) uma sessão extraordinária do plenário para analisar o relatório da PF sobre as mensagens de Vorcaro a Moraes e os próximos passos do caso. O ministro também determinou a abertura integral dos documentos vinculados ao Banco Master que estão sob relatoria de Mendonça, para que os ministros tenham acesso ao material antes da sessão.
Com informações de G1.
