Revelações obtidas pela revista Oeste levantam a suspeita de que o banqueiro Daniel Vorcaro, então controlador do Banco Master, teria recebido informações sigilosas sobre a investigação que antecedeu a Operação Compliance Zero.
Nos dias anteriores à prisão, Vorcaro demonstrava saber onde o inquérito tramitava, mencionava o juiz responsável pelo caso, Ricardo Augusto Soares Leite, e consultava o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), por meio do WhatsApp sobre possíveis medidas cautelares.
As respostas de Moraes não foram recuperadas pela Polícia Federal porque, segundo a reportagem, os dois utilizavam o recurso de visualização única do aplicativo. Já as mensagens enviadas por Vorcaro indicariam que ele tinha informações sobre o andamento da investigação e sobre possíveis diligências da PF.
Advogados tentaram acessar investigação
Um plano de voo obtido pela Oeste mostra que, em 17 de novembro, uma aeronave sairia do Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, com destino a Brasília para transportar advogados de Vorcaro.
A intenção era procurar o juiz responsável pelo inquérito para tentar obter acesso aos autos e evitar eventuais medidas cautelares contra o Banco Master.
Os advogados entraram em contato com a 10ª Vara Federal Criminal de Brasília e receberam orientação para encaminhar uma petição por e-mail. O documento solicitava acesso à investigação e oferecia colaboração do banco e de seus dirigentes.
A petição foi assinada por Walfrido Warde, Pierpaolo Bottini, Roberto Podval e Bruno Bianco, ex-advogado-geral da União no governo Jair Bolsonaro.
Segundo a defesa, uma eventual intervenção poderia afetar o Banco Master e comprometer negociações em andamento. Os advogados também alegaram que o Banco Central não havia identificado irregularidades nas operações ou nas demonstrações financeiras da instituição.
Quando a petição foi enviada, porém, a prisão preventiva de Vorcaro já havia sido decretada. Ricardo Leite assinou a ordem às 15h29, enquanto o documento da defesa chegou ao e-mail da vara às 15h47.
A PF passou a analisar a proximidade entre os dois acontecimentos como possível indício de que Vorcaro teria recebido informações antecipadas sobre a prisão.
Vorcaro perguntava a Moraes sobre a investigação
As mensagens analisadas pela PF mostram que Vorcaro procurava Moraes desde pelo menos 4 de novembro. Na ocasião, o banqueiro perguntou quais medidas poderiam ser adotadas no inquérito e se havia possibilidade de busca ou quebra de sigilo.
Vorcaro também alertou sobre possíveis consequências de uma operação para o Banco Master e afirmou que os negócios poderiam “ir por água abaixo”. Mais tarde, pediu que Moraes verificasse se seria possível “bloquear toda maldade”.
Em 6 de novembro, Vorcaro voltou a questionar o ministro sobre a situação. Perguntou se o caso tramitava em Brasília, qual era o tema investigado e se seria necessário tomar alguma medida jurídica urgente.
Na conversa, mencionou que o advogado Pierpaolo Bottini havia apresentado um pedido para tentar localizar o inquérito. Vorcaro também pediu a opinião de Moraes sobre a estratégia adotada pela defesa.
“Segunda já tenho que estar fora?”
A troca de mensagens se intensificou nos dias anteriores à prisão. Em 15 de novembro, Vorcaro perguntou a Moraes: “Acha que segunda já tenho que estar fora?”.
Depois de receber uma mensagem cujo conteúdo não foi recuperado, o banqueiro respondeu: “Que loucura, bem na semana que estou resolvendo tudo”.
Na mesma conversa, Vorcaro perguntou se o inquérito estava sob responsabilidade do juiz Ricardo Leite e se o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, tinha conhecimento da investigação. Ele também questionou se Moraes poderia “fazer alguma coisa”.
No dia seguinte, 16 de novembro, Vorcaro perguntou se havia possibilidade de alguma medida ser cumprida na manhã seguinte. Naquele momento, a ordem de prisão ainda não havia sido assinada pelo juiz.
Na manhã de 17 de novembro, Vorcaro voltou a conversar com Moraes. Às 7h19, afirmou que tentava antecipar a entrada de investidores no Banco Master e que poderia assinar e anunciar parte da operação de venda naquele mesmo dia.
O banqueiro também relatou que informações sobre a investigação começavam a circular, embora ainda não houvesse detalhes.
Com informações de Revista Oeste.
