A Polícia Federal encontrou um celular do policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva, apontado pela investigação como líder operacional do grupo conhecido como “A Turma”, escondido dentro de um freezer e atrás de carnes congeladas. O episódio ocorreu durante uma busca realizada em 4 de março, no apartamento do investigado, no bairro Floresta, em Belo Horizonte.
As informações constam de um relatório da terceira fase da Operação Compliance Zero, que veio a público após a retirada do sigilo de documentos relacionados ao caso Banco Master. O relato da diligência foi divulgado pela Jovem Pan.
Segundo o documento, os agentes chegaram ao endereço por volta das 6h e iniciaram as buscas minutos depois. Durante a operação, os policiais perguntaram repetidamente a Roseno onde estava o telefone. De acordo com o relatório, o investigado não informou inicialmente a localização do aparelho.
Os agentes passaram então a procurar o celular nos quartos do casal e da filha. Em seguida, Roseno teria pedido que os policiais o acompanhassem até a área de serviço. Lá, retirou de um freezer vertical um iPhone 17 Pro Max azul-escuro, que estava escondido atrás de carnes congeladas.
Além do aparelho, a PF apreendeu na residência duas pistolas — uma Glock G26 e uma Taurus PT640 —, munições de diferentes calibres, documentos, um bloco de anotações e outros materiais.
QUEM É MARILSON ROSENO
De acordo com a investigação, Roseno ocupava uma posição de liderança operacional no núcleo denominado “A Turma”, grupo que seria composto por pessoas ligadas à Polícia Federal e que, segundo os investigadores, atuaria em ações de monitoramento, intimidação e obtenção de informações para interesses ligados a Daniel Vorcaro.
Decisão do ministro André Mendonça, que autorizou medidas contra os investigados, aponta que Roseno teria utilizado conhecimentos e contatos adquiridos durante a carreira policial para auxiliar na obtenção de informações sigilosas e no monitoramento de pessoas de interesse do grupo. As conclusões fazem parte da investigação e não representam condenação definitiva.
A PF também já havia apontado que integrantes de “A Turma” teriam acesso a informações de sistemas restritos e que Roseno continuaria exercendo influência sobre o grupo mesmo após sua prisão.
CASO MASTER
A descoberta do celular ganhou destaque após o STF retirar o sigilo de documentos relacionados ao caso Banco Master e à Operação Compliance Zero. O material passou a revelar novos detalhes de diligências realizadas pela PF ao longo da investigação.
A divulgação ocorre em meio à crise envolvendo o caso Master e às apurações sobre relações de Daniel Vorcaro com diferentes autoridades. Entre os elementos analisados pela Corte estão informações sobre contatos do banqueiro com integrantes do STF.
O presidente do Supremo, Edson Fachin, convocou uma sessão extraordinária para 15 de setembro, quando os ministros deverão analisar questões relacionadas às investigações. O ministro André Mendonça é o relator de parte dos procedimentos.
O episódio do celular escondido no freezer é, portanto, um dos elementos que passaram a ser conhecidos com a divulgação dos documentos da investigação.
