O senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) é investigado pela Polícia Federal (PF) por suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e organização criminosa relacionadas à arrecadação de recursos para a produção do filme Dark Horse, que contará a história de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
A própria produção do longa também é alvo de investigação, sob suspeita de ter recebido emendas parlamentares de forma irregular. Na quinta-feira (10), o deputado federal Mário Frias (PL-SP) foi alvo de uma operação da PF relacionada ao caso.
A informação de que Flávio passou oficialmente à condição de investigado veio a público após o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirar parte do sigilo das investigações do Caso Master, por determinação do presidente da Corte, Edson Fachin.
No inquérito principal, há um relatório da PF com o pedido para investigar Flávio. Mendonça, relator do caso, autorizou a abertura da investigação em 22 de julho de 2026. Esse trecho da apuração que envolve o senador permanece sob sigilo.
Remessas internacionais
Segundo relatório da PF, a análise dos celulares de Daniel Vorcaro, então controlador do Banco Master, identificou que a empresa Entre Investimentos teria realizado, a mando do banqueiro, remessas internacionais para a Havengate Development Fund LP, nos Estados Unidos, que somariam US$ 12,3 milhões em 2025.
No celular de Vorcaro, os investigadores encontraram um documento intitulado “Acordo-Financiamento-da-produção”. O título anterior do arquivo era “Acordo de Financiamento de Produção Capitão do Povo”.
O documento previa o envio de US$ 24 milhões para o filme, valor que na época correspondia a cerca de R$ 134 milhões, dividido em 14 parcelas.
Em maio deste ano, veio a público um áudio no qual Flávio pede doações a Daniel Vorcaro para viabilizar a produção. Na gravação, o senador chama o banqueiro de “irmão” e cobra a regularidade dos pagamentos. Flávio confirmou ter enviado o áudio.
A Havengate Development Fund foi criada nos Estados Unidos em 2020 com o objetivo de viabilizar investimentos imobiliários e facilitar a concessão de vistos de residência permanente, os chamados green cards, para brasileiros.
O fundo é administrado por Paulo Calixto, advogado de Eduardo Bolsonaro, que atualmente está nos Estados Unidos.
Com informações de VEJA.