A crise envolvendo o ministro Alexandre de Moraes ganhou novos contornos no Supremo Tribunal Federal (STF) e passou a levantar questionamentos sobre o futuro da Corte, diante da possibilidade de o magistrado assumir a presidência do tribunal em 2027.
Moraes decidiu, por enquanto, permanecer em silêncio sobre as acusações envolvendo seu nome e recuou do pronunciamento que faria nesta quinta-feira (10). O ministro tem até 14 de setembro para prestar esclarecimentos ao STF, prazo concedido pelo presidente da Corte, Edson Fachin.
A medida ocorreu após reportagens do Estadão revelarem que Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro trocaram 51 mensagens ao longo de 21 dias.
A expectativa, segundo o texto, é que Moraes argumente que não há como comprovar que o celular utilizado nas conversas pertence a ele. A estratégia seria semelhante à adotada no início do ano, quando surgiram as primeiras revelações sobre sua relação com Vorcaro.
A pedido de André Mendonça, relator do caso Banco Master no STF, a Polícia Federal avançou na apuração sobre o destinatário das mensagens e apresentou um relatório apontando que as conversas haviam sido trocadas com Alexandre de Moraes.
Mendonça retirou o sigilo do documento na semana passada. O episódio contribuiu para ampliar a crise envolvendo o STF.
Moraes deve adotar postura de confronto
Além da estratégia de defesa, integrantes da magistratura avaliam que Moraes deverá adotar uma postura de enfrentamento no plenário. A expectativa é que ele leve a disputa para a sessão marcada para 15 de setembro, quando deverá ser analisado o pedido de investigação contra o ministro por suas relações com Daniel Vorcaro.
O pedido de abertura da apuração foi apresentado por André Mendonça.
Segundo o texto, a sessão pode começar com a discussão de questões de ordem e matérias preliminares antes de uma eventual análise do mérito. Na definição do quórum, Moraes poderá levantar questionamentos sobre outros ministros para tentar impedir que participem da votação.
Quatro ministros aparecem como possíveis alvos de questionamentos:
André Mendonça: atual relator do caso Banco Master e responsável pelo pedido de investigação contra Moraes. O ministro poderá ter sua imparcialidade questionada em razão das apurações que apontaram uma reunião com Daniel Vorcaro na sede do Instituto Iter, instituição de ensino jurídico fundada por Mendonça em São Paulo.
Dias Toffoli: foi o primeiro ministro citado nas denúncias e era o relator inicial do caso Banco Master. Ele deixou a relatoria após surgirem suspeitas relacionadas a negociações financeiras envolvendo familiares. Reportagens do Estadão apontaram que empresas dos irmãos de Toffoli negociaram participações do resort Tayayá com um fundo ligado à Reag Investimentos e à estrutura do Banco Master.
Nunes Marques: também poderá ser questionado em razão de informações envolvendo seu filho e repasses relacionados ao Banco Master. Segundo apurações do Estadão, o banco e a JBS repassaram R$ 18 milhões a uma empresa de consultoria que realizou pagamentos ao advogado Kevin de Carvalho Marques, filho do ministro.
Ainda segundo as apurações citadas no texto, Nunes Marques viajou de Brasília para Maceió com a mulher em um avião particular pertencente à empresa que administra bens de Daniel Vorcaro, a Prime You. O ministro participou de uma festa de aniversário na capital alagoana a convite de uma advogada que atua para o Banco Master e que teria assumido os custos da viagem.
Luiz Fux: o ministro também poderá entrar na mira de Moraes. O advogado Rodrigo Fux, filho do magistrado, esteve em 2025 no camarote VIP de Daniel Vorcaro durante o Carnaval na Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro. Ele assistiu ao Desfile das Campeãs em março daquele ano, conforme diálogos arquivados no celular do dono do Banco Master.
Com informações de Estadão
