Alvo da operação da Polícia Federal (PF) que investiga suspeitas de desvio de recursos de emendas parlamentares para o filme “Dark Horse”, a produtora Karina Gama afirmou que se sente ameaçada e que, caso seja presa, não teria informações para delatar.
Um dia antes de ser alvo de busca e apreensão, Karina, produtora da cinebiografia de Jair Bolsonaro e dona da empresa Go Up, relatou que estaria sendo ameaçada e chantageada. Segundo ela, pessoas que se apresentaram como oficiais de Justiça, mas não mostraram documentos, foram até sua casa por volta das 21h e fizeram perguntas.
A produtora também afirmou que fornecedores de suas empresas e familiares teriam sido abordados. “Estou apavorada”, disse.
Karina afirmou que está colaborando com as investigações e que não entende o motivo da pressão. “Quando a PF me pediu documentos, eu forneci imediatamente”, declarou.
Segundo a produtora, um pastor evangélico de Brasília, que ela afirma ser ligado à esquerda, também a procurou e ofereceu ajuda. De acordo com Karina, ele sugeriu que ela firmasse um acordo de delação premiada para evitar penalidades mais severas.
“Eu nunca captei dinheiro para o filme, eu nunca lidei com financiadores. Eu não sei nada sobre isso. Eu prestei um serviço, de produzir o ‘Dark Horse’ e fui remunerada”, afirmou.
Além da investigação sobre o suposto desvio de recursos de emendas parlamentares, a PF apura, em outra frente, o financiamento do filme pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Segundo as informações apresentadas, os recursos teriam sido solicitados pelo senador Flávio Bolsonaro em novembro do ano passado.
Em uma mensagem enviada a Vorcaro antes da prisão do ex-banqueiro, Flávio escreveu: “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!”.
Dois meses antes, o senador havia procurado o então dono do Banco Master para solicitar recursos para a produção de “Dark Horse”.
Os valores de Vorcaro foram enviados ao fundo Havengate, administrado pelo advogado Paulo Calixto, ligado ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro.
“Eu recebi recursos do fundo para produzir o filme, mas nunca soube quem eram seus financiadores”, afirmou Karina.
A produtora também comentou a emenda de R$ 1 milhão destinada pelo deputado federal Mario Frias, outro alvo da operação, a um projeto desenvolvido pelo Instituto Conhecer Brasil. Segundo ela, o projeto não teria utilizado todo o valor recebido e o dinheiro restante está “em caixa”.
O projeto, voltado ao letramento financeiro de jovens empreendedores, recebeu os recursos no fim de 2025, de acordo com Karina. Como o repasse ocorreu no fim do ano letivo, a iniciativa teria avançado somente neste ano.
Com informações de Folha de S. Paulo.
