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URGENTE: PF investiga suposto desvio de emendas para filme ‘Dark Horse’

Por Junior Melo
10/set/2026
Em Brasil
O levantamento envolve o deputado cassado Eduardo Bolsonaro (PL-RJ).
Foto: Divulgação.

O levantamento envolve o deputado cassado Eduardo Bolsonaro (PL-RJ). Foto: Divulgação.

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A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (10) a Operação Make Up, com 49 mandados de busca e apreensão relacionados à investigação sobre o financiamento do filme “Dark Horse”, que conta a história do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Entre os alvos estão Karina Gama, produtora do filme, e o deputado federal Mario Frias (PL-SP). Duas entidades ligadas a Karina também são alvo das buscas: o Instituto Conhecer Brasil (ICB) e a Academia Nacional de Cultura (ANC).

A operação é realizada pela PF em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU) e investiga um suposto esquema de desvio de recursos públicos provenientes de emendas parlamentares. Não foram expedidos mandados de prisão.

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O caso está sob relatoria do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF). O inquérito, que tramitava em São Paulo, foi avocado pelo Supremo.

Segundo a investigação, uma organização criminosa formada por agentes públicos e privados teria direcionado recursos destinados a uma organização da sociedade civil para empresas subcontratadas de forma irregular, sem comprovação de que os serviços contratados tenham sido efetivamente prestados.

A PF afirma ter identificado movimentações de centenas de milhões de reais entre empresas ligadas ao suposto esquema e aponta que as tentativas de ocultar os desvios teriam continuado até julho deste ano.

Entre os crimes investigados estão peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes licitatórios.

Duas investigações envolvem o filme “Dark Horse”

Existem duas investigações no STF relacionadas ao financiamento de “Dark Horse”, sob relatoria de Flávio Dino e André Mendonça.

O inquérito conduzido por Dino apura o possível uso irregular de emendas parlamentares e de recursos públicos que teriam chegado a entidades e empresas ligadas à produção do filme.

Já a investigação relatada por Mendonça analisa repasses realizados pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, a pedido de Flávio Bolsonaro (PL), e o percurso dos recursos.

Delação aponta repasses de US$ 12,3 milhões

Na quarta-feira (9), André Mendonça homologou o acordo de delação premiada de Antonio Carlos Freixo Junior, conhecido como “Mineiro”. Ele é proprietário da Entre Investimentos, empresa que, segundo a investigação, realizou repasses para o filme “Dark Horse” a mando de Daniel Vorcaro.

De acordo com o relato apresentado pelo empresário à Procuradoria-Geral da República (PGR), ele realizou sete repasses, classificados como “subscrições de cotas”, para o fundo Havengate, nos Estados Unidos.

As transferências ocorreram entre janeiro e setembro de 2025 e totalizaram US$ 12,333 milhões, valor que correspondia a aproximadamente R$ 62,8 milhões pela cotação de setembro daquele ano.

Segundo Mineiro, Vorcaro entrou em contato com ele entre o fim de 2024 e o início de 2025 para solicitar o envio de recursos ao exterior por meio da subscrição de cotas do fundo. Inicialmente, a previsão seria transferir cerca de US$ 24 milhões em mais de dez operações, entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026. Ao final, foram realizadas sete transações.

O empresário afirmou ainda que entregou às autoridades os comprovantes das transferências e os e-mails trocados com Paulo Calixto, advogado de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos e responsável pelo fundo Havengate.

Segundo o delator, antes de cada operação, Daniel Vorcaro entrava em contato por WhatsApp para solicitar a formalização da subscrição e o respectivo pagamento.

Mineiro afirmou que não sabia qual seria a destinação final dos valores enviados ao fundo.

PF investiga destino do dinheiro

A Polícia Federal apura se todo o dinheiro transferido para o Havengate foi utilizado no financiamento de “Dark Horse”, como afirmam Flávio Bolsonaro e a produtora Go Up, ou se parte dos recursos teria sido destinada a outras finalidades, incluindo eventual financiamento de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.

Flávio Bolsonaro havia afirmado que o último pagamento feito por Vorcaro teria ocorrido em maio de 2025. O delator, porém, relatou uma transferência realizada em setembro daquele ano, no valor de US$ 1,666 milhão.

Pagamentos também passaram pelas Bahamas

Em sua delação, Antonio Carlos Freixo Junior também afirmou ter realizado outros pagamentos no exterior, a mando de Vorcaro, por meio da empresa Entre Investiments and Arbitrage Ltd., sediada em Nassau, nas Bahamas.

Segundo o empresário, nesses casos Vorcaro enviava “invoices”, ou faturas, que deveriam ser pagas. Ele não informou quem seriam os beneficiários dos recursos.

Uma das linhas de investigação da PF é verificar se valores mantidos em paraísos fiscais, como as Bahamas, também foram enviados ao fundo Havengate ou a pessoas relacionadas a ele.

O advogado de Mineiro, Marco Petrelluzzi, afirmou que não comentará o caso em razão do segredo de Justiça.

A assessoria de Flávio Bolsonaro, questionada sobre os relatos do delator, afirmou que as informações têm sido apresentadas pela produtora Go Up, responsável pelo filme.

Produtora diz que contas do filme são regulares

A Go Up contratou uma auditoria particular que, em junho deste ano, afirmou que as contas de “Dark Horse” estão regulares. Os documentos utilizados na análise, como notas fiscais dos gastos, porém, não foram divulgados publicamente.

Segundo a auditoria, o filme teve custo de R$ 75 milhões e foi financiado pelo fundo Havengate.

Com informações de G1

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